O problema não é o tamanho, é o custo. A dívida bruta está em —% do PIB, o país pagou —% do PIB em juros nos últimos 12 meses e fechará 2026 com resultado primário de —% do PIB, quando precisaria de superávit de —% do PIB para estabilizá-la. Sem mudança de rota, passa de 100% do PIB em 2032.
Dados de agosto de 2026 (BCB, Tesouro Nacional, IFI, FMI, Receita Federal); painel montado em 20/10/2026 (v2). Estimativas próprias estão marcadas.
DBGG, % do PIB, dezembro de cada ano (último ponto: agosto de 2026), conceito BCB. Caiu em Lula 1–2 (2010: PIB de 7,5%), saltou na recessão de 2015–16 e na pandemia, recuou em 2021–22 com inflação e receitas de commodities, e voltou a subir em Lula 3.
Composição da Dívida Pública Federal por indexador, % do estoque, agosto de 2026. As barras finas mostram o intervalo do PAF 2026 (revisado em agosto para acomodar mais LFT).
Setor público consolidado, % do PIB. Resultado primário (receitas menos despesas, sem juros) e juros nominais apropriados. 2026: primário efetivo projetado do governo central e juros em 12 meses até agosto.
O juro neutro real estimado por BC e IFI fica perto de —% a.a., muito acima dos pares emergentes.
Decomposição da variação da DBGG entre dezembro de 2022 e agosto de 2026, em pontos percentuais do PIB. Vermelho eleva a dívida, verde reduz. Estimativa própria a partir dos fatores condicionantes do BCB; 2024 é aproximado e "câmbio e outros" é o resíduo; barras medidas a partir de zero.
DBGG, % do PIB. IFI e governo no conceito BCB; FMI no conceito FMI (cerca de 12 pontos acima, por contar toda a carteira do BC). Pontos esparsos ligados em reta: valores só nos anos divulgados.
Dívida bruta do governo geral, % do PIB, valores aproximados do FMI (2025–26). O Japão carrega 235% com juro real perto de zero; o Brasil paga juro real implícito de 8 a 9%, e por isso 83% já pesa. Brasil: projeção do FMI para 2026 (no dado do BCB, o conceito FMI estava em 94,5% em agosto).
R$ bilhões. O corte proposto (1,5% do PIB) comparado com o que existe para cortar sem mexer em Previdência, BPC, saúde e educação, e com o ajuste que IFI e Moody's consideram necessário.
A crítica de que o corte ameaça as rendas baixas e médias procede em parte. O risco é real e alto se o corte for feito em um ano e via despesas sociais, que é a única forma de a conta fechar com as premissas anunciadas. Mas R$ — bi não é um número aleatório: 1,5% do PIB fica até abaixo do ajuste de — a —% do PIB que a Moody's julga necessário.
O realista seria 1,5 a 2% do PIB em 3–4 anos, com 0,4–0,6% no primeiro ano, apoiado em renúncias, folha, emendas e regra de benefícios que proteja o piso dos mais pobres. Lula, por sua vez, mantém o arcabouço e a valorização do mínimo sem meta de primário nem reforma de obrigatórias, o que segundo IFI e FMI leva a dívida a 90%+ até o fim do mandato.
DBGG em 2030, % do PIB, conceito BCB, por cenário para 2027–2030. Cenários próprios, ilustrativos, construídos sobre as projeções da IFI, do governo e do FMI. A linha marca o nível de agosto de 2026.
Impacto anual estimado quando maduro, R$ bilhões (faixas aproximadas de órgãos técnicos e imprensa especializada; dependem do desenho). A literatura (Ipea, FMI) mostra que cortar renúncias e subsídios custa menos ao PIB do que cortar investimento ou transferências aos pobres.
| Medida | Impacto (até, R$ bi) | Consenso |
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Os dois caminhos levam à mesma conta: quem vencer terá de enfrentar as despesas obrigatórias. Com Flávio, espera-se tentativa de choque via "Super PEC" na transição (ganho de credibilidade possível, risco social e político alto). Com Lula, continuidade do arcabouço com possível endurecimento de gatilhos, sem reforma estrutural explícita.