Resumo
Lula 3 fica à frente na grande maioria dos indicadores (19 de 27). O país cresceu mais, com recordes na bolsa, inflação menor, desemprego no menor nível desde 2012 e queda forte da pobreza, da fome e do desmatamento. Mecanismos de controle da corrupção, democracia, transparência e prestação de contas também aumentaram. Pode ser considerada a melhor nota geral de governo desde a redemocratização, quando ajustada à média do que aconteceu nos países vizinhos (avançou mais do que países similares, no mesmo período); sem esse ajuste comparativo aos pares, o governo Lula 2 possui a melhor nota geral, levemente acima de Lula 3.
Com Bolsonaro, apenas 4 de 27 indicadores foram melhores. As contas públicas fecharam melhor e a dívida caiu, mas com inflação e preços altos, desmonte de instituições, risco de ruptura democrática e gestão da pandemia que custou milhares de mortes extras.
Alguns indicadores, 4 de 27, foram similares em ambos, como por exemplo violência, que caiu nos dois governos, enquanto feminicídios subiram em ambos (embora em ritmo menor em Lula 3), mas com redução contínua de mortes violentas intencionais no governo Lula.
Mas nem tudo depende de quem governa. A pandemia, a inflação mundial, os preços de exportação, as safras e as decisões do Banco Central pesaram nos dois mandatos, e cada linha abaixo diz o que é efeito de contexto. "Melhor" compara o resultado, não a intenção nem o mérito.
A nota geral
Nota de 0 a 100 em 25 indicadores de nove áreas, com pesos iguais e cada resultado comparado com o dos países vizinhos no mesmo período: 50 é o típico da região desde 1995. Três detalhes do método não têm resposta única (ajuste de convergência, defasagem de um ano, percentil ou escala linear), por isso a nota é a mediana das oito combinações, não uma escolha só. A faixa clara é o intervalo de 90% em 400 simulações que variam pesos e método (36 a 51 para Bolsonaro; 55 a 75 para Lula 3). Lula 3 fica à frente em todas as 12 combinações de pesos e controles. Notas por área, indicadores e limites em Régua Brasil.
O placar, lado a lado
Economia
Mediana dos vizinhos no mesmo período: 1,7% com Bolsonaro e 1,6% com Lula 3. Lula 3 contou com safras recordes, petróleo em alta e preços de exportação melhores.
Nos anos fechados, Bolsonaro passou do teto da meta em 2021 e 2022 e Lula 3 em 2024; pela meta contínua, houve descumprimento em junho de 2025. Em setembro de 2026, os 12 meses (4,58%) passam do teto de 4,5%.
Caiu nos dois. A série da PNAD Contínua começa em 2012.
Pesquisas do IBGE harmonizadas pelo Banco Mundial. Com Lula 3, a renda cresceu mais em todas as camadas, e mais ainda entre os 40% mais pobres.
Ver o crescimento por camada de renda
| Crescimento real da renda por ano | Bolsonaro 2018–2022 | Lula 3 2022–2024 |
|---|---|---|
| 40% mais pobres | +2,6% | +7,6% |
| 50% do meio | +0,7% | +5,5% |
| 10% mais ricos | −0,6% | +2,6% |
| Média | +0,3% | +4,6% |
Renda domiciliar por pessoa das pesquisas do IBGE, harmonizada pelo Banco Mundial, até 2024. Nos dois governos os mais pobres ganharam mais que os mais ricos; com Bolsonaro, em parte porque a renda do topo caiu na pandemia. Em 2025, pelo IBGE, a renda média por pessoa bateu recorde (R$ 2.264, +6,9%), com alta de 8,7% para os 10% mais ricos e de 3,1% para os 10% mais pobres.
Valores em vigor em dezembro, corrigidos pelo IPCA; 2026 até setembro.
Formação bruta de capital fixo (Banco Mundial). Nos dois períodos, abaixo da mediana dos vizinhos (18% a 21%).
A Selic é fixada pelo Banco Central, autônomo desde 2021, em resposta à inflação e ao risco fiscal. Campos Neto, indicado por Bolsonaro, presidiu o BC em dois dos três anos de Lula 3 e começou a alta em setembro de 2024; Galípolo, indicado por Lula, levou a taxa a 15% em 2025. Bolsonaro entregou 2022 com juro real de 6,2%, em ciclo de alta.
O dólar subiu 35% com Bolsonaro (o real perdeu cerca de 26% do valor) e recuou com Lula 3; a queda de 2026 veio com o dólar fraco no mundo e, em outubro, com a reação do mercado ao 1º turno.
Parte da alta de 2026 veio depois do 1º turno: +7,7% no pregão seguinte, com Flávio à frente. Até o fim de 2025, antes da campanha, a vantagem de Lula 3 já era de 30 pontos.
A posição depende do câmbio. *O FMI (WEO, outubro de 2026) projeta o 8º lugar em 2027, com a economia que o governo entrega; o ano já é do próximo mandato.
Renda, pobreza e qualidade de vida
Linha de US$ 6,85 por dia por pessoa. Dados de 2025 saem em dezembro de 2026.
Linha de US$ 2,15 por dia por pessoa.
Cerca de 20,3 milhões de pessoas ainda estavam nessa situação no relatório de 2026. A insegurança grave (0,6%) é a menor da série da FAO.
Caiu nos dois. Com Bolsonaro, a queda veio com os auxílios de 2020 e 2022 e a volta do emprego; com Lula 3, o índice chegou ao menor nível da série e subiu em 2025, quando a renda do topo cresceu mais.
A queda de 2020 e 2021 foi da Covid e atingiu a região toda; estudos revisados por pares estimam entre 47 mil e 87 mil mortes evitáveis só pelo atraso da vacinação (veja Pandemia). O IBGE calcula 76,6 anos em 2024.
A cobertura vinha caindo desde 2016 (89%) e chegou a 71% em 2019, antes da pandemia.
Taxa por 100 mil: de 27,9 para 22,7 com Bolsonaro (−5,0% ao ano) e para 19,1 com Lula 3 (−5,6% ao ano). A queda começou em 2018 e é atribuída sobretudo a facções, políticas estaduais e demografia; mortes por policiais bateram recorde em 2025.
Subiu nos dois governos, em ritmo menor com Lula 3.
O ano do Prodes vai de agosto a julho: o de 2019 inclui os últimos cinco meses de 2018, e o de 2023, os de 2022.
Contas públicas
A bruta caiu 3,6 pontos com Bolsonaro, com inflação alta e receitas que não se repetem, e subiu 11,2 com Lula 3, puxada pelos juros. A dívida líquida subiu nos dois: de 52,8% para 56,1% e para 69,3%.
Média sem 2020: +0,4% com Bolsonaro; −1,0% com Lula 3, com R$ 92,4 bilhões de precatórios atrasados pagos em 2023.
Conta como resultado porque pesa nas contas públicas, mas depende da Selic, fixada pelo Banco Central (2% em 2020–21; 15% em 2025–26), e do tamanho da dívida. O juro real, acima, é instrumento e não resultado, por isso não tem vencedor.
O país segue abaixo do grau de investimento, perdido em 2015 e 2016.
Instituições
Avaliação de especialistas (Instituto V-Dem). A queda de 2016 a 2022 e a recuperação desde 2023 aparecem também nos índices do Banco Mundial e da EIU.
Índice de percepção; a variação é pequena nos dois períodos, e a nota do Brasil no índice da Transparência Internacional ficou estagnada (35 em 2018, 38 em 2022, 35 em 2025). Os fatos documentados de cada governo estão em Instituições.
Cada linha tem fonte e contexto nas seções seguintes. As seções de pandemia e de instituições trazem o que não cabe numa linha de placar.
Economia
Crescimento, inflação, emprego, renda, câmbio e bolsa foram melhores com Lula 3. Investimento e o custo da dívida foram melhores com Bolsonaro. A pandemia explica a queda de 2020 e a reabertura de 2021, não o ritmo do resto do mandato.
Em 2020 o Brasil caiu menos que os vizinhos (−3,3% contra −8,4%), com o Auxílio Emergencial; em 2021 cresceu menos que eles na reabertura. De 2023 a 2025, cresceu 3,0% ao ano, contra 1,6% da mediana dos vizinhos, com safras recordes, produção de petróleo em alta e gasto público maior. Fonte: IBGE e Banco Mundial.
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| Ano | Brasil (%) | Vizinhos (%) |
|---|---|---|
| 2015 | −3,55 | 2,73 |
| 2016 | −3,28 | 1,77 |
| 2017 | 1,32 | 1,87 |
| 2018 | 1,78 | 2,56 |
| 2019 | 1,22 | 0,64 |
| 2020 | −3,28 | −8,35 |
| 2021 | 4,76 | 10,80 |
| 2022 | 3,02 | 3,71 |
| 2023 | 3,24 | 0,68 |
| 2024 | 3,42 | 1,49 |
| 2025 | 2,29 | 2,64 |
E Bolsonaro sem a pandemia?
Sem 2020 e 2021, o PIB cresceu 2,1% ao ano com Bolsonaro, quase o mesmo que os vizinhos (2,2%) e menos que os 3,0% de Lula 3; a inflação média foi de 5,1%. Tirando só 2020, a média sobe para 3,0%, igual à de Lula 3, porque 2021 teve a reabertura (4,8%). O desemprego caiu pouco em 2019 (de 11,7% para 11,1%) e muito em 2022.
A alta de 2021 e 2022 foi mundial, depois da pandemia e da guerra na Ucrânia; no Brasil veio antes (10,1% em 2021) e, em 2022, ficou abaixo da de Chile e Colômbia. Nos anos fechados, Bolsonaro estourou o teto em 2021 e 2022 e Lula 3 em 2024; pela meta contínua, houve descumprimento em junho de 2025, com carta aberta do Banco Central. Fonte: IBGE.
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| Ano | IPCA (%) | Teto da meta (%) |
|---|---|---|
| 2015 | 10,67 | 6,50 |
| 2016 | 6,29 | 6,50 |
| 2017 | 2,95 | 6,00 |
| 2018 | 3,75 | 6,00 |
| 2019 | 4,31 | 5,75 |
| 2020 | 4,52 | 5,50 |
| 2021 | 10,06 | 5,25 |
| 2022 | 5,79 | 5,00 |
| 2023 | 4,62 | 4,75 |
| 2024 | 4,83 | 4,50 |
| 2025 | 4,26 | 4,50 |
| 2026 (12 meses até set.) | 4,58 | 4,50 |
O pico, de 14,9%, veio no 3º trimestre de 2020 e no 1º de 2021. A taxa caiu nos dois governos e chegou a 5,1% no fim de 2025, a menor da série. Em junho a agosto de 2026, eram 103,5 milhões de pessoas ocupadas, recorde. Fonte: IBGE.
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| Período | Desemprego (%) |
|---|---|
| 1º tri 2018 | 13,2 |
| 2º tri 2018 | 12,6 |
| 3º tri 2018 | 12,0 |
| 4º tri 2018 | 11,7 |
| 1º tri 2019 | 12,8 |
| 2º tri 2019 | 12,1 |
| 3º tri 2019 | 11,9 |
| 4º tri 2019 | 11,1 |
| 1º tri 2020 | 12,4 |
| 2º tri 2020 | 13,6 |
| 3º tri 2020 | 14,9 |
| 4º tri 2020 | 14,2 |
| 1º tri 2021 | 14,9 |
| 2º tri 2021 | 14,2 |
| 3º tri 2021 | 12,7 |
| 4º tri 2021 | 11,1 |
| 1º tri 2022 | 11,1 |
| 2º tri 2022 | 9,3 |
| 3º tri 2022 | 8,7 |
| 4º tri 2022 | 7,9 |
| 1º tri 2023 | 8,8 |
| 2º tri 2023 | 8,0 |
| 3º tri 2023 | 7,7 |
| 4º tri 2023 | 7,4 |
| 1º tri 2024 | 7,9 |
| 2º tri 2024 | 6,9 |
| 3º tri 2024 | 6,4 |
| 4º tri 2024 | 6,2 |
| 1º tri 2025 | 7,0 |
| 2º tri 2025 | 5,8 |
| 3º tri 2025 | 5,6 |
| 4º tri 2025 | 5,1 |
| 1º tri 2026 | 6,1 |
| 2º tri 2026 | 5,4 |
| trimestre móvel jun–ago 2026 | 5,3 |
Juro real negativo em 2020 e 2021 foi a resposta à pandemia, com a Selic em 2% e a inflação em alta; 2022 terminou com 6,2%, com a Selic parada em 13,75% desde agosto. Desde 2023, o juro real está entre os mais altos do mundo. A Selic é definida pelo Banco Central, autônomo desde 2021: Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, presidiu o BC até 2024 e iniciou a alta em setembro daquele ano; Gabriel Galípolo, indicado por Lula, levou a taxa a 15% em 2025 e a 13,75% desde setembro de 2026. Fonte: Banco Central e IBGE.
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| Ano | Juro real (%) | Selic acumulada (%) | IPCA (%) |
|---|---|---|---|
| 2015 | 2,36 | 13,29 | 10,67 |
| 2016 | 7,28 | 14,03 | 6,29 |
| 2017 | 6,80 | 9,96 | 2,95 |
| 2018 | 2,57 | 6,42 | 3,75 |
| 2019 | 1,57 | 5,95 | 4,31 |
| 2020 | −1,69 | 2,75 | 4,52 |
| 2021 | −5,11 | 4,44 | 10,06 |
| 2022 | 6,23 | 12,38 | 5,79 |
| 2023 | 8,04 | 13,03 | 4,62 |
| 2024 | 5,78 | 10,89 | 4,83 |
| 2025 | 9,66 | 14,33 | 4,26 |
| 2026 (12 meses) | 9,46 | 14,47 | 4,58 |
Empresas: recorde de recuperações judiciais e recorde de empresas ativas
Os pedidos de recuperação judicial bateram recorde em 2024 (2.273) e em 2025 (2.466 empresas em 977 processos), puxados pelo agro, depois que uma lei de 2020 facilitou o pedido por produtores rurais, e por grupos que pedem juntos. Os pedidos de falência ficaram perto de 950 por ano de 2021 a 2024, abaixo dos cerca de 1.400 de 2018 e 2019. O número de empresas ativas subiu de 20,2 milhões no fim de 2022 para 25,7 milhões em outubro de 2026, a maioria MEIs. Fontes: Serasa Experian e Mapa de Empresas.
Renda e pobreza
Pobreza, extrema pobreza e fome pioraram na pandemia e, com Lula 3, chegaram aos menores níveis das séries do IBGE e da FAO. A renda cresceu nos dois governos; com Lula 3, cresceu mais em todas as camadas.
Extrema pobreza (US$ 2,15 por dia): 9,0% em 2021, 5,9% em 2022, 4,4% em 2023 e 3,5% em 2024. Sem Bolsa Família, BPC e outras transferências, o índice de desigualdade de 2024 seria 0,542 em vez de 0,504. O IBGE divulga os dados de 2025 em dezembro de 2026. Fonte: IBGE, Síntese de Indicadores Sociais.
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| Ano | Pobreza (%) | Extrema pobreza (%) |
|---|---|---|
| 2012 | 34,7 | 6,6 |
| 2019 | 32,6 | – |
| 2020 | 31,1 | – |
| 2021 | 36,8 | 9,0 |
| 2022 | 31,6 | 5,9 |
| 2023 | 27,3 | 4,4 |
| 2024 | 23,1 | 3,5 |
O Brasil voltou ao Mapa da Fome no relatório de 2022 (média de 2019 a 2021) e saiu no de 2025 (2022 a 2024). As médias de 2021–23 e 2022–24 misturam os dois governos, e a FAO revisou a série (o relatório de 2023 trazia 32,8% para 2020–22). Pelas pesquisas do IBGE, a insegurança alimentar grave atingia 4,1% dos domicílios em 2023 e 3,2% em 2024, igual a 2013; o IBGE não fez essa medição de 2019 a 2022.
Com Bolsonaro, o mínimo foi corrigido só pela inflação. Desde 2023, a lei garante ganho real ligado ao crescimento do PIB, limitado a 2,5% ao ano a partir de 2025. O valor nominal de 2026 é R$ 1.621.
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| Ano | Valor nominal (R$) | Em reais de dez/2025 |
|---|---|---|
| 2015 | 788 | 1.299 |
| 2016 | 880 | 1.364 |
| 2017 | 937 | 1.411 |
| 2018 | 954 | 1.385 |
| 2019 | 998 | 1.389 |
| 2020 | 1.045 | 1.391 |
| 2021 | 1.100 | 1.331 |
| 2022 | 1.212 | 1.386 |
| 2023 | 1.320 | 1.443 |
| 2024 | 1.412 | 1.472 |
| 2025 | 1.518 | 1.518 |
| 2026 | 1.621 | 1.559 |
Quem ganhou mais renda
| Crescimento real da renda por ano | Bolsonaro 2018–2022 | Lula 3 2022–2024 |
|---|---|---|
| 40% mais pobres | +2,6% | +7,6% |
| 50% do meio | +0,7% | +5,5% |
| 10% mais ricos | −0,6% | +2,6% |
| Média | +0,3% | +4,6% |
Renda domiciliar por pessoa das pesquisas do IBGE, harmonizada pelo Banco Mundial, até 2024. Nos dois governos os mais pobres ganharam mais que os mais ricos; com Bolsonaro, em parte porque a renda do topo caiu na pandemia. Em 2025, pelo IBGE, a renda média por pessoa bateu recorde (R$ 2.264, +6,9%), com alta de 8,7% para os 10% mais ricos e de 3,1% para os 10% mais pobres.
Desigualdade e desenvolvimento humano
O índice de Gini do IBGE caiu de 0,545 (2018) para 0,518 (2022), com os auxílios da pandemia e a volta do emprego, e para 0,504 em 2024, o menor da série; em 2025 subiu a 0,511, porque a renda do topo cresceu mais. O IDHM, a versão nacional do índice de desenvolvimento humano, foi de 0,777 em 2018 para 0,757 em 2021, na pandemia, e chegou a 0,788 em 2022 e 0,805 em 2024. Fontes: IBGE e PNUD.
Saúde
A expectativa de vida caiu na pandemia e se recuperou depois; a vacinação infantil, que vinha caindo desde 2016, voltou às coberturas de antes. Na régua, a saúde tem nota baixa nos dois governos, bem mais baixa com Bolsonaro, por causa da pandemia e da queda das vacinas.
A pandemia derrubou a expectativa de vida no Brasil e na região; o Brasil caiu um pouco menos e se recuperou um pouco mais devagar. Pelas contas do IBGE, foram 76,2 anos em 2019, 72,8 em 2021 e 76,6 em 2024. As Nações Unidas ainda não publicaram 2025.
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| Ano | Brasil (anos) | América Latina e Caribe (anos) |
|---|---|---|
| 2018 | 75,63 | 75,05 |
| 2019 | 75,81 | 75,20 |
| 2020 | 74,51 | 73,19 |
| 2021 | 73,04 | 71,81 |
| 2022 | 74,87 | 74,65 |
| 2023 | 75,85 | 75,64 |
| 2024 | 76,02 | 75,82 |
A cobertura caiu de 96% em 2015 para 71% em 2019 e 2021 e voltou a 90% em 2024; a da poliomielite seguiu o mesmo caminho (98% em 2015, 71% em 2021, 90% em 2024). A mortalidade materna dobrou na pandemia (de 65 para 128 mortes por 100 mil nascidos vivos entre 2019 e 2021, nas estimativas internacionais; de 58 para 117 na série do Ministério da Saúde) e voltou a 67 em 2023. A mortalidade infantil caiu devagar nos dois governos: 12,9 por mil em 2019, 12,6 em 2022 e 12,3 em 2024. O Ministério da Saúde ainda não fechou a cobertura de 2025.
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| Ano | Pentavalente (%) | Poliomielite (%) |
|---|---|---|
| 2016 | 89,3 | 84,4 |
| 2017 | 84,2 | 84,7 |
| 2018 | 88,5 | 89,5 |
| 2019 | 70,8 | 84,2 |
| 2020 | 77,9 | 76,8 |
| 2021 | 71,5 | 71,0 |
| 2022 | 77,2 | 77,2 |
| 2023 | 83,7 | 84,6 |
| 2024 | 89,8 | 90,0 |
Pandemia: o choque e a resposta
A Covid atingiu todos os países; o que coube ao governo foi a resposta. O Brasil começou a vacinar depois de Chile, México e Argentina, apostou em remédios sem eficácia e trocou quatro ministros da Saúde. Estudos revisados por pares estimam dezenas de milhares de mortes evitáveis só pelo atraso da vacinação.
Entre os vizinhos, o Brasil ficou perto da mediana em mortes em excesso (acima de Chile, Uruguai e Argentina; abaixo de Colômbia, México e Peru). A diferença para os vizinhos que foram melhor está na velocidade da vacinação e na resposta: é isso que os estudos abaixo medem.
Quantas mortes a resposta custou, segundo os estudos
- ~47 mil mortes a mais evitáveis entre idososSe o ritmo de vacinação alcançado tivesse sido atingido 8 semanas antes (além das 54 a 63 mil mortes que a vacinação real evitou de janeiro a agosto de 2021).Ferreira e outros (Observatório Covid-19 BR), The Lancet Regional Health – Americas, 2022. Revisado por pares: sim.
- 86,6 mil mortes evitáveisVacinação iniciada em 8 de dezembro de 2020 em vez de 17 de janeiro de 2021.Revista Brasileira de Epidemiologia, 2023. Revisado por pares: sim.
- mais de 127 mil mortes evitáveis em 2021Início em 21 de janeiro de 2021 no ritmo máximo de vacinação, com oferta ilimitada de doses (exercício teórico, sem intervalos).Amaku, Covas, Massad e outros, Theoretical Biology and Medical Modelling, 2021. Revisado por pares: sim.
- ~120 mil mortes evitáveis até março de 2021Redução de 40% na transmissão com medidas não farmacológicas; número adotado pelo relatório final da CPI.Nota técnica UERJ, UFRJ e USP para a CPI, 2021. Revisado por pares: não.
- 95 mil a 145 milCompra antecipada das vacinas da Pfizer e do Butantan.Pedro Hallal (UFPel), depoimento à CPI, junho de 2021. Revisado por pares: não.
- ~400 mil (4 em 5 mortes até junho de 2021)Quantas mortes o Brasil teria se tivesse a mortalidade registrada da média mundial; não é um modelo causal e foi contestada por diferenças de idade e de registro entre países.Pedro Hallal, depoimento à CPI, junho de 2021. Revisado por pares: não.
As estimativas respondem a perguntas diferentes e não se somam. As três primeiras, revisadas por pares, isolam o atraso da vacinação; a nota técnica mede o efeito do distanciamento; as de Hallal foram apresentadas à CPI, e a comparação com a média mundial é a mais contestada. Nenhum estudo revisado por pares mediu as mortes causadas pelo "tratamento precoce" no Brasil; um estudo de 2024 estimou cerca de 17 mil mortes por hidroxicloroquina em internados de seis outros países.
O que o governo fez, com data e fonte
- mar/2020Em pronunciamento em cadeia nacional (24/03), o presidente chama a Covid de "gripezinha ou resfriadinho" e critica o fechamento de escolas e o isolamento defendido pelo próprio Ministério da Saúde. (g1)
- abr e mai/2020Dois ministros da Saúde saem em um mês: Luiz Henrique Mandetta é demitido (16/04) e Nelson Teich renuncia (15/05) depois de se recusar a ampliar o uso da cloroquina. O general Eduardo Pazuello assume interinamente e é efetivado em setembro; Marcelo Queiroga, o quarto ministro, toma posse em março de 2021. (Jovem Pan)
- 20/05/2020Nota informativa do Ministério da Saúde libera cloroquina e hidroxicloroquina para casos leves, sem evidência de eficácia. O Exército produz 3,2 milhões de comprimidos em 2020, cerca de 25 vezes o normal; em março de 2021, 348 mil estavam sem destino informado, segundo a Agência Pública. (Ministério da Saúde (nota) e Agência Pública)
- ago a nov/2020A Pfizer faz ofertas formais em 14, 18 e 26 de agosto (até 70 milhões de doses, 1,5 milhão já em dezembro); a de 26/08 vence em 15 dias sem resposta. A carta do presidente da Pfizer a Bolsonaro (setembro) fica dois meses sem resposta. O contrato só é assinado em 19/03/2021; se assinado em agosto, o país teria 18,5 milhões de doses até junho de 2021, segundo a empresa. (depoimento da Pfizer à CPI, via NSC)
- 21/10/2020Um dia depois de o ministro anunciar a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, o presidente escreve: "não será comprada". O Butantan tinha oferecido doses desde julho; o contrato sai em 07/01/2021, e a CoronaVac é a vacina com que o país começa a vacinar. (Congresso em Foco)
- jan/2021Crise do oxigênio em Manaus: o Ministério da Saúde sabia da escassez desde 08/01; em 11/01, o ministro vai a Manaus defender o "tratamento precoce" e lança o aplicativo TrateCov, que recomendava cloroquina e ivermectina com dois sintomas, até para bebês. O colapso vem em 14/01, com pacientes mortos por asfixia; o aplicativo é retirado em 21/01. O TCU não encontrou responsabilidade individual do ministro, mas apontou falta de coordenação central; a ação de improbidade foi rejeitada pela Justiça Federal sem análise do mérito. (Poder360 e Aos Fatos)
- 17/01/2021Começa a vacinação, com a CoronaVac. Reino Unido (08/12), Estados Unidos (14/12), Chile e México (24/12) e Argentina (29/12) tinham começado semanas antes. (A Gazeta)
- 25/02/2021Contrato de R$ 1,6 bilhão por 20 milhões de doses da Covaxin (US$ 15 a dose, contra US$ 1,34 projetado pela fabricante), intermediado pela Precisa Medicamentos. Suspenso em 29/06/2021 depois das denúncias dos irmãos Miranda na CPI; a fabricante rompe com a intermediária em julho. A CGU multou a Precisa e a declarou inidônea (2024); o inquérito por prevaricação contra o presidente foi arquivado pelo STF a pedido da PGR (2022); a apuração sobre a intermediária seguia no STF, sob sigilo, em 2024. (Metrópoles e Poder360)
- 2020 a 2021O Ministério da Saúde distribui ao menos 265 mil comprimidos de cloroquina, azitromicina e ivermectina a distritos sanitários indígenas de cinco estados, sem eficácia comprovada contra a Covid: 100,5 mil de cloroquina para Roraima, 39,5 mil deles para o território Yanomami (Folha, via Jornal de Brasília). Não há caso documentado de cloroquina do Exército desviada a garimpeiros. (Brasil de Fato e Jornal de Brasília)
- 26/10/2021A CPI da Covid aprova o relatório final por 7 a 4: 80 pedidos de indiciamento, nove crimes atribuídos ao presidente. A PGR da época abriu 10 petições no STF e pediu o arquivamento de 7 em 2022 e, em fevereiro de 2023, do inquérito sobre epidemia e infração sanitária; esse pedido ainda não foi decidido (ver 2025 e 2026). (Poder360)
- 2025 e 2026O STF abre, em setembro de 2025, inquérito sobre incitação ao descumprimento de medidas sanitárias e desinformação na pandemia, com 24 investigados, entre eles Jair Bolsonaro; em outubro de 2026, o ministro Fachin dá cinco dias à PGR para dizer se mantém o pedido de arquivamento feito em 2023. Até 23/10/2026, não há denúncia nem condenação pela condução da pandemia. (O Liberal)
O que o presidente disse
“Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho.”24/03/2020, pronunciamento em cadeia nacional. g1
“Eu não sou coveiro.”20/04/2020, ao ser perguntado sobre o número de mortos. Poder360
“E daí, lamento. Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagre.”28/04/2020, no dia em que o país passou de 5 mil mortes. Poder360
“Quem for de direita toma cloroquina, quem for de esquerda toma tubaína.”19/05/2020, na saída do Palácio da Alvorada. Metrópoles
“Tem que deixar de ser um país de maricas.”10/11/2020, sobre a pandemia, em evento no Planalto. Poder360
“Eu não vou tomar vacina. E ponto final.”15/12/2020, em transmissão ao vivo. Poder360
“Se você virar um jacaré, problema de você.”17/12/2020, em Porto Seguro (BA), sobre a vacina da Pfizer. Poder360
“Começam a aparecer os efeitos colaterais das máscaras.”25/02/2021, no dia de recorde de mortes, questionando o uso de máscaras por crianças. Congresso em Foco
“Chega de frescura e de mimi. Vão ficar chorando até quando?”04/03/2021, em São Simão (GO), na semana em que o país passou de 1.700 mortes por dia. Poder360
“Se você começar a sentir um negócio esquisito lá, você segue a receita do ministro Mandetta.”18/03/2021, imitando uma pessoa com falta de ar, em transmissão ao vivo. Estado de Minas
Desfechos até 23 de outubro de 2026
Não há denúncia nem condenação de Jair Bolsonaro ou de ministros pela condução da pandemia. A CPI pediu 80 indiciamentos em 2021; a PGR da época abriu 10 petições, pediu o arquivamento de 7 em 2022 e, em 2023, do inquérito sobre epidemia e infração sanitária, pedido que o STF ainda não decidiu. O TCU e a Justiça Federal não responsabilizaram o ex-ministro Pazuello por Manaus. A Precisa Medicamentos, intermediária da Covaxin, foi multada e declarada inidônea pela CGU em 2024. Um inquérito aberto pelo STF em 2025 sobre incitação ao descumprimento de medidas sanitárias segue em curso. Um estudo de Harvard (Nature Medicine, 2021) calculou que o Brasil perdeu 1,3 ano de expectativa de vida em 2020. Fontes: CPI da Covid, STF, TCU, CGU.
Educação
O aprendizado medido pelo PISA está parado há mais de uma década, em todos os governos; o Ideb, que estagnou na pandemia, subiu em todas as etapas em 2025. O acesso avançou nos dois governos: creche, pré-escola e ensino superior. A educação básica é gerida sobretudo por estados e municípios; o ensino superior federal, a merenda, as bolsas de pesquisa e os programas de permanência dependem mais do governo federal.
A matrícula cresceu nos dois governos, com peso crescente do ensino a distância. Com Lula 3: bolsas de mestrado e doutorado da Capes e do CNPq reajustadas em 2023, depois de dez anos congeladas, e o Pé-de-Meia (poupança para alunos do ensino médio, desde 2024). Com Bolsonaro: o Fundeb virou permanente por emenda constitucional aprovada pelo Congresso em 2020. Dados de 2025 do Censo da Educação Superior saem no fim de 2026.
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| Ano | Taxa bruta (%) |
|---|---|
| 2016 | 49,0 |
| 2017 | 50,7 |
| 2018 | 52,1 |
| 2019 | 53,6 |
| 2020 | 55,5 |
| 2021 | 57,6 |
| 2022 | 61,0 |
| 2024 | 69,7 |
O Ideb, nota da educação básica calculada pelo Inep a cada dois anos, foi de 5,9 (anos iniciais), 4,9 (anos finais) e 4,2 (ensino médio) em 2019 para 5,8, 5,1 e 4,2 em 2021, na pandemia, e para 6,3, 5,3 e 4,5 em 2025, com alta em todas as etapas; só os anos iniciais batem a meta. O analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais caiu de 6,6% em 2019 para 5,3% em 2024. No ensino médio público, o abandono caiu de 6,4% em 2024 para 3,6% em 2025, segundo o MEC, depois do Pé-de-Meia; não há ainda avaliação independente que separe o efeito do programa do de políticas estaduais anteriores. O orçamento de custeio e investimento das universidades federais, descontada a inflação, ficou em 2024 abaixo do de 2019 (R$ 5,0 bilhões contra R$ 5,5 bilhões), com recomposição parcial em 2025. A merenda escolar ficou sem reajuste de 2017 a 2023 (R$ 0,36 por aluno por dia) e subiu para R$ 0,50 em 2023 e R$ 0,57 em 2026. O piso dos professores subiu 33% em 2022, no governo Bolsonaro, e 15% em 2023. Fontes: Inep, IBGE, MEC, FNDE, SoU Ciência.
Segurança
As mortes violentas caem desde 2018 e chegaram em 2025 ao menor nível desde 2012, nos dois governos. Feminicídios e mortes por intervenção policial subiram nos dois. A segurança pública é majoritariamente estadual, e a literatura atribui a queda sobretudo a dinâmicas das facções, políticas estaduais e envelhecimento da população.
Homicídios, latrocínios, lesões seguidas de morte e mortes por intervenção policial, na série revisada do Anuário 2026. Em número, a queda foi de 17% em quatro anos com Bolsonaro e de 15% em três anos com Lula 3; pela taxa por 100 mil, 5,0% ao ano com Bolsonaro e 5,6% ao ano com Lula 3. Em 2025, as mortes por intervenção policial chegaram a 6.602, recorde (16% das mortes violentas); os feminicídios subiram de 1.229 em 2018 para 1.437 em 2022 e 1.571 em 2025.
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| Ano | Mortes violentas | Taxa por 100 mil | Mortes por intervenção policial | Feminicídios |
|---|---|---|---|---|
| 2016 | 62.517 | 30,3 | – | – |
| 2017 | 64.079 | 31,2 | – | – |
| 2018 | 57.592 | 27,9 | 6.175 | 1.229 |
| 2019 | 47.765 | 23,0 | 6.357 | 1.330 |
| 2020 | 50.448 | 24,1 | 6.416 | 1.354 |
| 2021 | 48.286 | 23,0 | 6.145 | 1.347 |
| 2022 | 47.963 | 22,7 | 6.429 | 1.437 |
| 2023 | 46.441 | 21,9 | 6.393 | 1.467 |
| 2024 | 44.220 | 20,8 | 6.237 | 1.510 |
| 2025 | 40.775 | 19,1 | 6.602 | 1.571 |
Por que os homicídios caíram tanto em 2018 e 2019
A queda de 2017 para 2019 (de 64 mil para 48 mil mortes) é a maior da série. O Atlas da Violência (Ipea e FBSP) aponta quatro causas principais: a trégua entre PCC e Comando Vermelho depois da guerra de 2016 e 2017, que concentrou as quedas no Norte e no Nordeste; políticas estaduais maduras (São Paulo, Minas, Pernambuco, Espírito Santo, Paraíba); o envelhecimento da população, que reduz a parcela de homens de 15 a 29 anos (explica cerca de um quarto da queda desde 2004); e o Estatuto do Desarmamento, de 2003. Parte da queda pode ser subnotificação: as mortes por causa indeterminada subiram 26% em 2018. O Atlas não credita a Lei do Susp (2018) nem os governos federais pela queda. Sobre armas: os decretos de 2019 a 2022 multiplicaram por quase seis os registros de atiradores, caçadores e colecionadores; um estudo do FBSP (2022) estima que cada 1% a mais de armas em circulação eleva a taxa de homicídios em 1,1%. Os decretos foram revogados em 2023, e os registros de armas na PF caíram 82% naquele ano.
Por que a régua dá nota mais alta a Bolsonaro em segurança
A régua usa a taxa de homicídios do UNODC, comparável entre países, e não a série de mortes violentas do Anuário usada acima; por isso os ritmos de queda diferem (6,8% e 5,7% ao ano contra 5,0% e 5,6%). A régua compara a queda dos homicídios no Brasil com a dos vizinhos no mesmo período. Com Bolsonaro, a taxa caiu 6,8% ao ano no Brasil enquanto ficava estável nos vizinhos; com Lula 3, caiu 5,7% ao ano, mas os vizinhos também caíram 5,2%. Por isso a nota com ajuste é 70 contra 50; sem o ajuste, 84 contra 74, as duas altas. Nenhum dos dois números mede políticas federais: a queda começou antes de 2019 e continuou depois de 2022.
Meio ambiente
Soma dos quatro anos do Prodes de cada governo: 45.612 km² (2019 a 2022) e 24.648 km² (2023 a 2026). Como o ano do Prodes vai de agosto a julho, o de 2019 inclui os últimos cinco meses de 2018, e o de 2023, os de 2022. A taxa de 2026, 3.335 km², é a menor desde o início da série, em 1988, e ainda será consolidada. No Cerrado, a queda em 2026 foi de 24%. Fonte: Inpe.
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| Ano Prodes | km² |
|---|---|
| ago/2014–jul/2015 | 6.207 |
| ago/2015–jul/2016 | 7.893 |
| ago/2016–jul/2017 | 6.947 |
| ago/2017–jul/2018 | 7.536 |
| ago/2018–jul/2019 | 10.129 |
| ago/2019–jul/2020 | 10.851 |
| ago/2020–jul/2021 | 13.038 |
| ago/2021–jul/2022 | 11.594 |
| ago/2022–jul/2023 | 9.064 |
| ago/2023–jul/2024 | 6.518 |
| ago/2024–jul/2025 | 5.731 |
| ago/2025–jul/2026 (estimativa) | 3.335 |
Contas públicas e dívida
É a área em que os números de Bolsonaro são melhores, com uma ressalva: parte do resultado veio de receitas que não se repetem e de despesas adiadas para o governo seguinte. Com Lula 3, a dívida bruta subiu 11,2 pontos do PIB, sobretudo por causa dos juros, e houve déficit em todos os anos. A dívida líquida subiu nos dois governos.
Em agosto de 2026, a dívida bruta era de R$ 11,1 trilhões. A dívida líquida, que desconta ativos como as reservas internacionais, subiu de 52,8% para 56,1% do PIB com Bolsonaro (as devoluções do BNDES abatem a bruta, não a líquida) e para 69,3% em agosto de 2026. Fonte: Banco Central.
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| Período | Dívida bruta (% do PIB) |
|---|---|
| dez/2006 | 55,5 |
| dez/2007 | 56,7 |
| dez/2008 | 56,0 |
| dez/2009 | 59,2 |
| dez/2010 | 51,8 |
| dez/2011 | 51,3 |
| dez/2012 | 53,7 |
| dez/2013 | 51,5 |
| dez/2014 | 56,3 |
| dez/2015 | 65,5 |
| dez/2016 | 70,0 |
| dez/2017 | 74,0 |
| dez/2018 | 75,3 |
| dez/2019 | 74,3 |
| dez/2020 | 86,9 |
| dez/2021 | 77,3 |
| dez/2022 | 71,7 |
| dez/2023 | 73,8 |
| dez/2024 | 76,3 |
| dez/2025 | 78,7 |
| ago/2026 | 82,9 |
2020: gastos da pandemia. 2022: superávit com dividendos recordes da Petrobras e a outorga da Eletrobras. 2023: inclui R$ 92,4 bilhões em precatórios atrasados, dos quais R$ 60 bilhões represados nos orçamentos de 2022 e 2023 por emenda de 2021. 2024: inclui cerca de R$ 32 bilhões de gastos extraordinários, quase todos com as enchentes do Rio Grande do Sul. Fonte: Banco Central.
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| Ano | Primário (% do PIB) | Juros (% do PIB) | Nominal (% do PIB) |
|---|---|---|---|
| 2015 | −1,86 | 8,36 | −10,22 |
| 2016 | −2,48 | 6,50 | −8,98 |
| 2017 | −1,68 | 6,09 | −7,77 |
| 2018 | −1,55 | 5,41 | −6,96 |
| 2019 | −0,84 | 4,97 | −5,81 |
| 2020 | −9,24 | 4,10 | −13,34 |
| 2021 | 0,72 | 4,98 | −4,26 |
| 2022 | 1,25 | 5,82 | −4,57 |
| 2023 | −2,28 | 6,56 | −8,84 |
| 2024 | −0,40 | 8,07 | −8,47 |
| 2025 | −0,43 | 7,91 | −8,34 |
| 2026 (12 meses até ago.) | −0,62 | 8,86 | −9,48 |
Por que a dívida bruta caiu com Bolsonaro
- O crescimento do PIB nominal, puxado pela inflação de 10,1% em 2021 e 5,8% em 2022, tirou 12,3 e 7,5 pontos da relação dívida/PIB.
- O BNDES devolveu ao Tesouro R$ 123 bilhões em 2019, R$ 63 bilhões em 2021 e R$ 72 bilhões em 2022, usados para abater dívida.
- A Petrobras pagou R$ 56 bilhões em dividendos à União em 2022, e as concessões, com a Eletrobras, renderam R$ 47 bilhões.
- Precatórios adiados por emenda de 2021 (R$ 60 bilhões represados em 2022 e 2023) foram pagos em dezembro de 2023.
- A reforma da Previdência, de 2019, reduziu o crescimento do gasto nas décadas seguintes.
Por que a dívida subiu com Lula 3
- Juros: somaram cerca de 30 pontos do PIB de 2023 a agosto de 2026, com a Selic entre 10,5% e 15%.
- Houve déficit primário em todos os anos; a PEC da Transição ampliou o gasto de 2023 em R$ 145 bilhões, e as metas foram reduzidas em abril de 2024 (a de 2025, de superávit de 0,5% para zero; a de 2026, de 1% para 0,25%).
- R$ 92,4 bilhões em precatórios atrasados em 2023 e as enchentes do Rio Grande do Sul em 2024.
- O crescimento do PIB nominal tirou cerca de 20 pontos, o que impediu uma alta maior.
- Os juros altos refletem, em parte, a desconfiança do mercado com a trajetória das contas.
De onde veio a variação da dívida a cada ano
Em pontos do PIB, como o Banco Central publicou em janeiro do ano seguinte; *2026 até agosto. Juros aumentam a dívida; o crescimento do PIB nominal reduz a relação. Em 2020, o BC não separou o efeito do PIB (n.d.). Revisões posteriores do PIB mudam os totais: em 2019–2022, a soma publicada na época (+1,1 ponto) difere da série atual (−3,6) em 4,7 pontos; em Lula 3, a diferença é de 0,3 ponto.
| Ano | Total | Juros | PIB nominal | Emissões e outros |
|---|---|---|---|---|
| 2019 | −0,8 | +5,6 | −3,9 | −2,5 |
| 2020 | +15,0 | +4,7 | n.d. | +10,3 |
| 2021 | −8,3 | +5,8 | −12,3 | −1,8 |
| 2022 | −4,8 | +7,5 | −7,5 | −4,8 |
| 2023 | +2,7 | +7,5 | −5,2 | +0,4 |
| 2024 | +2,2 | +7,5 | −5,4 | +0,1 |
| 2025 | +2,4 | +8,9 | −5,7 | −0,8 |
| 2026* | +4,2 | +6,5 | −3,6 | +1,3 |
Ver a linha do tempo das regras fiscais, de 2016 a 2026
- dez/2016Teto de gastos (EC 95) Limita a despesa primária federal ao valor do ano anterior corrigido pela inflação, por 20 anos.
- mai/2020Orçamento de Guerra (EC 106) Separa os gastos da Covid do orçamento regular: R$ 521 bilhões pagos em 2020 fora do teto, segundo o Tesouro.
- mar/2021PEC Emergencial (EC 109) Permite pagar o auxílio emergencial de 2021, até R$ 44 bilhões, fora do teto e da meta, e cria gatilhos de contenção de gastos.
- dez/2021PEC dos Precatórios (EC 113 e 114) Muda a correção do teto e limita o pagamento de precatórios: abre R$ 106 bilhões de espaço em 2022.
- jul/2022PEC Kamikaze (EC 123) R$ 41 bilhões fora do teto e da meta para Auxílio Brasil de R$ 600, vale-gás e auxílios a caminhoneiros e taxistas, a três meses da eleição.
- dez/2022PEC da Transição (EC 126) Amplia o teto em R$ 145 bilhões para 2023 e libera cerca de R$ 23 bilhões em investimentos fora dele.
- ago/2023Arcabouço fiscal (LC 200) Substitui o teto: a despesa cresce 70% do aumento real da receita (50% se a meta falhar), entre 0,6% e 2,5% ao ano, com meta de resultado primário e tolerância de 0,25 ponto do PIB.
- dez/2023Precatórios atrasados Depois de o STF derrubar o limite de 2021, o governo paga R$ 92,4 bilhões, dos quais R$ 60,2 bilhões represados em 2022 e 2023. O déficit do governo central de 2023 vai a 2,1% do PIB.
- 2024Meta de déficit zero Déficit de R$ 43,0 bilhões (0,36% do PIB). Descontados cerca de R$ 32 bilhões, quase todos das enchentes do Rio Grande do Sul, ficam R$ 11,0 bilhões, dentro da tolerância.
- 2025Meta de déficit zero Déficit de R$ 61,7 bilhões (0,48% do PIB). Descontados R$ 48,7 bilhões, sobretudo precatórios, ficam R$ 13,0 bilhões, dentro da tolerância.
- 2026Meta de superávit de 0,25% do PIB Projeção de setembro: déficit de R$ 80,9 bilhões antes dos descontos e de R$ 13,6 bilhões para efeito da meta, abaixo do piso de zero. O governo bloqueou R$ 16 bilhões em gastos.
- abr/2024Metas reduzidas A meta de 2025 passa de superávit de 0,5% do PIB para zero, e a de 2026, de 1% para 0,25%.
Para onde a dívida vai
A Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado, projeta 86,4% do PIB em 2027 e 102% em 2032; o próprio governo, 86% em 2027 e 87,8% em 2029. Para estabilizar a dívida, a IFI calcula que seria preciso um superávit primário de cerca de 2,1% do PIB por ano; a Moody's estima um ajuste de 2 a 2,5 pontos do PIB, algo entre R$ 300 bilhões e R$ 370 bilhões. Nenhum dos dois planos detalha como chegar lá. O FMI usa um conceito mais amplo, que inclui títulos na carteira do Banco Central e fica 12 a 15 pontos acima do conceito brasileiro: 97% do PIB em 2026.
Instituições, democracia e integridade
Os índices internacionais de democracia, liberdade de imprensa e governança caíram entre 2016 e 2022 e se recuperaram, em parte, desde 2023. A situação judicial dos candidatos e de seus familiares aparece abaixo com os termos exatos de cada caso: "investigado" não é "réu", e "anulado" não é "absolvido".
Índices, de 2018 a hoje
| Índice | 2018 | 2022 | Último |
|---|---|---|---|
| Democracia liberal (V-Dem, 0 a 1)maior é melhor | 0,608 | 0,540 | 0,704 2025 |
| Voz e responsabilização (WGI, −2,5 a 2,5)maior é melhor | 0,40 | 0,12 | 0,40 2024 |
| Estado de direito (WGI)maior é melhor | −0,40 | −0,43 | −0,49 2024 |
| Controle da corrupção (WGI)maior é melhor | −0,43 | −0,46 | −0,40 2024 |
| Efetividade do governo (WGI)maior é melhor | −0,14 | −0,20 | −0,19 2024 |
| Freedom House (0 a 100)maior é melhor | 78 | 73 | 73 2026 |
| Democracy Index, EIU (0 a 10)maior é melhor | 6,97 | 6,78 | 6,76 2025 |
| Liberdade de imprensa, RSF (posição)menor é melhor | 102 | 110 | 52 2026 |
| Percepção da corrupção, TI (0 a 100)maior é melhor | 35 | 38 | 35 2025 |
V-Dem: 0,78 em 2014, o pico; 0,54 em 2022; 0,70 em 2025. A Freedom House quase não registra recuperação; o Democracy Index da EIU só em 2025. Fontes: V-Dem, Banco Mundial (WGI), Freedom House, EIU, RSF e Transparência Internacional.
Bolsonaro, 2019 a 2022
- Sigilos de 100 anos sobre o cartão de vacinação do presidente, os crachás dos filhos no Planalto e o processo do Exército contra o ex-ministro Pazuello, entre outros; revistos pela CGU em 2023.
- Coaf: tentativa de transferir o órgão para o Ministério da Justiça (2019), revertida pelo Congresso; o STF manteve o compartilhamento de dados com o Ministério Público.
- "Abin paralela": a PF indiciou 36 pessoas em 2025, entre elas o ex-presidente e o vereador Carlos Bolsonaro, por monitoramento ilegal de autoridades; sem denúncia até outubro de 2026.
- Polícia Federal: a investigação sobre interferência, aberta com a saída do ministro Sergio Moro em 2020, foi arquivada em 2023 e reaberta pelo STF em 2025.
- Militares em cargos civis: 6.157 em 2020, contra 2.765 em 2018 (TCU).
- Sistema eleitoral: ataques às urnas e a reunião com embaixadores (2022) levaram o TSE a declará-lo inelegível até 2030; o 8 de janeiro de 2023 e a trama golpista levaram à condenação pelo STF em 2025.
- Orçamento secreto: as emendas de relator, criadas em 2020, foram declaradas inconstitucionais pelo STF em dezembro de 2022.
- A Transparência Internacional descreveu em 2020 um "desmanche" progressivo do sistema anticorrupção, com interferência na PGR, na PF e perda de autonomia; a nota do país no índice de percepção da corrupção caiu de 38 (2020) para 36 (2023).
Lula 3, 2023 a 2026
- Transparência: revisão dos sigilos de 100 anos (2023), novo regulamento da Lei de Acesso à Informação com poder vinculante à CGU, recriação do conselho de transparência com a sociedade civil e Plano de Integridade e Combate à Corrupção 2025–2027.
- Fraude no INSS: descontos indevidos de R$ 6,3 bilhões em aposentadorias, de 2019 a 2024, descobertos pela PF e pela CGU em abril de 2025; o ex-presidente do INSS foi preso e indiciado; R$ 3,6 bilhões devolvidos até outubro de 2026. O período apurado vai de 2019 a 2024, nos dois governos.
- Banco Master: liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025; Daniel Vorcaro preso preventivamente; custo de mais de R$ 50 bilhões ao fundo garantidor de créditos, com estimativas de até R$ 60 bilhões; as investigações alcançam políticos de vários partidos, inclusive aliados do governo.
- Ministros: nenhum condenado; o ex-ministro Juscelino Filho foi denunciado pela PGR em 2025 (emendas), e o ex-ministro Silvio Almeida, em 2026 (importunação sexual); ambos deixaram o governo, como outros ministros que saíram sob acusações ou investigações.
- Emendas parlamentares: o STF impôs rastreabilidade e auditorias (2024–2025); a Transparência Internacional fala em "orçamento secreto 2.0", com mais de R$ 60 bilhões em emendas em 2026.
- STF: o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias em abril de 2026, a primeira rejeição desde 1894.
- A Transparência Internacional creditou à CGU e à PF a recuperação de 2023 (sigilos, regras de classificação, nomeações técnicas), mas a nota do Brasil no índice de percepção da corrupção ficou em 35 em 2025, a segunda pior da série.
Situação judicial em 22 de outubro de 2026
- LulaNenhum inquérito criminal ativo localizado. As condenações da Lava Jato (triplex e sítio de Atibaia) foram anuladas pelo STF em 2021 por incompetência do juízo e suspeição do juiz, sem julgamento do mérito, e depois prescreveram; outros casos foram trancados ou arquivados. Absolvido em três processos (obstrução, 2018; Quadrilhão do PT, 2019; Zelotes, 2021).Fonte: STF; Poder360; Metrópoles
- Fábio Luís (Lulinha), filho de LulaInvestigado em três inquéritos no STF, abertos em julho e agosto de 2026, por suspeita de tráfico de influência: favorecimento a empresa do "Careca do INSS" no Ministério da Saúde, atuação por uma empresa de tecnologia junto à Dataprev e um grupo ligado a um ex-chefe de gabinete de Lula. Sem indiciamento nem denúncia; a PF pediu mais prazo em outubro. Outro filho, Luís Cláudio, foi alvo de inquérito por acusação de violência doméstica (2024), concluído pela Polícia Civil sem indiciamento.Fonte: CNN Brasil; Poder360; Agência Lupa
- Flávio BolsonaroInvestigado no STF, em 2026, no caso do filme "Dark Horse", financiado com recursos ligados a Daniel Vorcaro, do Banco Master, por suspeita de lavagem de dinheiro (relator André Mendonça). Em outubro, a PF enviou ao STF material sobre a relação com o advogado Willer Tomaz e a Alcazar Holdings, sorteado ao ministro Alexandre de Moraes, ainda sem decisão. A denúncia da "rachadinha" na Alerj (2020) foi arquivada em 2022 depois que STJ e STF anularam as provas, sem julgamento do mérito; ele nunca foi réu.Fonte: Agência Brasil; O Povo; Poder360
- Jair BolsonaroCondenado pelo STF em 11/09/2025 a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado; começou a cumprir a pena em novembro de 2025 e está em prisão domiciliar humanitária desde março de 2026, com tornozeleira. Inelegível até 2030 (TSE, 2023). Indiciado pela PF no caso da "Abin paralela" (2025) e no das joias (2024; a PGR pediu arquivamento); a investigação sobre interferência na PF foi reaberta em 2025; o caso do cartão de vacina foi arquivado.Fonte: STF; TSE; Agência Brasil
- Eduardo e Carlos Bolsonaro, filhosEduardo: condenado pelo STF em 16/06/2026 a 4 anos e 2 meses por coação no curso do processo (atuação nos EUA por sanções contra ministros); perdeu o mandato por faltas; investigado no caso "Dark Horse". Carlos: indiciado pela PF na "Abin paralela" (2025), sem denúncia.Fonte: Conjur; Congresso em Foco
- O desafio dos sigilosEm 22/10/2026, as campanhas de Lula e de Flávio protocolaram no TSE uma petição conjunta autorizando a abertura total e simultânea dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois, de familiares e empresas, nos últimos oito anos. O ministro André Mendonça respondeu que a divulgação cabe a cada um, sem decisão judicial, e que não substitui as investigações. Até 23/10, a publicação dos dados não foi localizada.Fonte: Brasil de Fato; CNN Brasil; O Tempo
Nenhum dos dois candidatos tem condenação criminal. Nos casos antigos mais citados (Lava Jato para Lula, "rachadinha" para Flávio), o desfecho veio de nulidades processuais, não de juízo sobre culpa ou inocência. A diferença atual: Flávio é investigado no STF, e o pai e um irmão foram condenados; contra Lula não há inquérito localizado, e o investigado é o filho dele. Situação em 22/10/2026; os termos seguem o estágio de cada caso.
Por que a régua não dá nota a isso
A régua mede resultados anuais com bases internacionais e a mesma regra para oito governos desde 1995. Não existe uma medida comparável de ética ou de legalidade dos governantes para todo esse período: cada governo teve escândalos de natureza diferente, e condenações, anulações e arquivamentos mudam com o tempo. Por isso esses fatos aparecem documentados aqui, com data e fonte, mas fora da nota. Os índices de corrupção e de democracia que entram na régua (Banco Mundial e V-Dem) medem percepção de especialistas, não processos.
Notas por área
A régua é o modelo deste painel. São 25 indicadores em nove áreas, cada um comparado com o que aconteceu no mesmo período em Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai, que passaram pelos mesmos choques. A nota vai de 0 a 100: 50 é o resultado típico da região desde 1995, e 80 quer dizer melhor que 80% dos períodos comparáveis.
Bolsonaro vai melhor em segurança e contas públicas; Lula 3, nas demais. Saúde é baixa nos dois e bem mais baixa com Bolsonaro: pandemia e queda da vacinação. A pandemia é uma área só dele, com a resposta à Covid comparada à dos vizinhos.
A nota muda com as escolhas, mas a ordem não
Com ajuste pelos vizinhos e com a pandemia (padrão)
- Pesos iguais47691º: Lula 3
- Prioridades do eleitor45711º: Lula 3
- Ênfase institucional46691º: Lula 3
Com ajuste pelos vizinhos, sem 2020 e 2021
- Pesos iguais54681º: Lula 3
- Prioridades do eleitor50701º: Lula 3
- Ênfase institucional49681º: Lula 3
Sem ajuste pelos vizinhos, com a pandemia
- Pesos iguais42641º: Lula 2
- Prioridades do eleitor41691º: Lula 3
- Ênfase institucional39621º: Lula 2
Sem ajuste pelos vizinhos, sem 2020 e 2021
- Pesos iguais54621º: Lula 3
- Prioridades do eleitor55681º: Lula 3
- Ênfase institucional48611º: Lula 2
Lula 3 fica à frente de Bolsonaro nas 12 combinações; a menor diferença, de 8,0 pontos, aparece sem o ajuste pelos vizinhos e sem os anos de 2020 e 2021, e nesse caso a vantagem se mantém em 93% das simulações. Entre os oito governos desde 1995, Lula 3 tem a maior nota nas combinações com ajuste pelos vizinhos (9 de 12); sem o ajuste, Lula 2 fica em primeiro (3 de 12). "Prioridades do eleitor" dá mais peso a saúde, emprego e segurança; "ênfase institucional", a instituições e contas públicas.
Com ou sem os vizinhos: o que cada leitura mostra
Com o ajuste, a nota mede o que foi específico do Brasil: se todos os países da região melhoram juntos, o Brasil fica perto de 50, mesmo que o resultado tenha sido bom. Sem o ajuste, a nota compara o resultado bruto do Brasil com todos os períodos de todos os sete países desde 1995, e uma melhora absoluta aparece inteira. As duas leituras estão lado a lado em cada área e em cada indicador, e a ordem entre Lula 3 e Bolsonaro é a mesma nas duas.
Ver os 25 indicadores, com os valores brutos
Para cada governo: a nota de 0 a 100 e, abaixo, o valor do Brasil e a mediana dos vizinhos no mesmo período. Variações são médias por ano. Os valores vêm das bases usadas na régua (Banco Mundial, FMI, V-Dem, OCDE, Inpe, IHME, Our World in Data, Lowy) e podem diferir dos números oficiais brasileiros citados nas outras seções; a dívida pelo conceito do FMI fica 12 a 15 pontos acima da do Banco Central.
Economia
Lula 3: Brasil 2,57 × vizinhos 0,96 (% ao ano)
Lula 3: Brasil 4,7 × vizinhos 5,2 (% ao ano)
Lula 3: Brasil −0,32 × vizinhos −0,73 (ponto do PIB por ano)
Sem o ajuste pelos vizinhos: Bolsonaro 83, Lula 3 39.
O investimento subiu de 15,1% para 17,8% do PIB com Bolsonaro e caiu para 16,8% com Lula 3; os vizinhos também caíram, o que aproxima as notas com o ajuste.
Emprego e renda
Lula 3: Brasil −1,09 × vizinhos 0,00 (ponto por ano)
Lula 3: Brasil −1,15 × vizinhos −0,13 (ponto por ano)
Lula 3: Brasil −0,80 × vizinhos −0,15 (ponto por ano)
Saúde
Lula 3: Brasil −1,20 × vizinhos −2,52 (% por ano)
Lula 3: Brasil +0,58 × vizinhos +0,78 (ano por ano)
Sem o ajuste pelos vizinhos: Bolsonaro 5, Lula 3 91.
Os vizinhos recuperaram a expectativa de vida mais rápido depois da pandemia; por isso a nota com ajuste é baixa, e sem o ajuste é 91.
Lula 3 ainda sem dado comparável.
Lula 3: Brasil +7,0 × vizinhos −0,8 (ponto por ano)
Educação
Lula 3: Brasil −0,7 × vizinhos −2,7 (ponto por ano)
Sem o ajuste pelos vizinhos: Bolsonaro 17, Lula 3 24.
Lula 3 ainda sem dado comparável.
Segurança
Lula 3: Brasil −5,7 × vizinhos −5,2 (% por ano)
Taxa de homicídios do UNODC, estendida com o Anuário do FBSP para 2024 e 2025 (estimativa). A nota compara a queda do Brasil com a dos vizinhos no mesmo período: com Bolsonaro, os homicídios caíram 6,8% ao ano no Brasil enquanto ficavam estáveis nos vizinhos; com Lula 3, caíram 5,7% ao ano, mas os vizinhos também caíram 5,2%. Sem o ajuste pelos vizinhos, as notas são 84 e 74.
Meio ambiente
Lula 3: Brasil −20,7 (% por ano)
Lula 3: Brasil +0,88 × vizinhos +2,16 (% por ano)
Democracia e instituições
Lula 3: Brasil +0,055 × vizinhos −0,019 (ponto do índice por ano)
Lula 3: Brasil +0,140 × vizinhos −0,025 (ponto por ano)
Lula 3: Brasil −0,030 × vizinhos −0,023 (ponto por ano)
Índice de percepção do Banco Mundial que mistura justiça, polícia, contratos e crime. Caiu de −0,43 (2022) para −0,51 (2023) e −0,49 (2024); a nota de Lula 3 usa só dois anos.
Lula 3: Brasil +0,030 × vizinhos −0,018 (ponto por ano)
Contas públicas e gestão
Lula 3: Brasil +3,13 × vizinhos +0,37 (ponto do PIB por ano)
Lula 3: Brasil −7,1 × vizinhos −2,6 (% do PIB)
Sem o ajuste pelos vizinhos: Bolsonaro 13, Lula 3 4.
Lula 3: Brasil +0,005 × vizinhos −0,040 (ponto por ano)
Pandemia
Onde a régua pode errar
- Lula 3 tem três anos de dados (2023 a 2025) e só dois em pobreza, desigualdade, saúde, emissões e governança; Bolsonaro tem quatro.
- Sem o ajuste pelos vizinhos, a nota de saúde de Lula 3 sobe de 72 para 83 e a de segurança, de 54 para 76; a de educação cai de 76 para 28; a de contas públicas de Bolsonaro cai de 60 para 40.
- A área Pandemia só existe para Bolsonaro. Sem 2020 e 2021, a nota dele sobe de 47 para 54.
- Democracia e governança vêm de avaliações de especialistas (V-Dem e Banco Mundial), não de medições diretas.
- Resultados de um governo podem vir de decisões do anterior, e o ajuste pelos vizinhos só corrige choques que atingiram a região toda.
- A nota é a mediana de oito variantes de método. A variante única usada até 23/10 (com convergência, sem defasagem, percentil) era a mais baixa de todas para Lula 3 (62) e ficava no meio para Bolsonaro (47); a mediana corrige essa assimetria sem favorecer ninguém: a regra é a mesma para os oito governos.
- A grade de áreas é a do modelo Mesma régua: a efetividade do governo (Banco Mundial) conta em "contas públicas e gestão".
- A régua é um modelo deste painel, não um índice oficial. Método, código e notas por indicador estão nos arquivos de origem.
Daqui em diante
Lula × Flávio: o que está em jogo em 2026
Até aqui, os números dos dois governos, medidos. A partir daqui, os dois candidatos de 2026: o que cada um promete e o que cada um disse no debate, checado pelas agências de checagem.
O que cada candidato propõe
Resumo dos planos registrados no TSE e das declarações das equipes até outubro de 2026. Os dois deixam a mesma lacuna: nenhum mostra uma conta fechada para estabilizar a dívida.
Equipe econômica
Daniella Marques coordena, com Adolfo Sachsida, ambos da equipe de Paulo Guedes; o senador Rogério Marinho coordena o plano de governo. Ministro da Fazenda não anunciado.
Dario Durigan é ministro da Fazenda desde março de 2026, no lugar de Fernando Haddad. Nome para um 4º mandato não anunciado.
Regra fiscal
Trocar o arcabouço por uma meta de dívida pública com freio de gastos, sem número definido.
Manter o arcabouço fiscal, sem novas metas numéricas no plano.
Gastos
Cortar ao menos 10 ministérios; a coordenadora fala em economia de cerca de R$ 190 bilhões (1,5% do PIB), sem detalhamento no plano, e em receitas extras: securitização da dívida ativa (R$ 200 a 400 bilhões), um fundo com imóveis da União e concessões. A imprensa noticiou estudo de uma PEC de cerca de R$ 250 bilhões, com reajuste de aposentadorias e BPC só pela inflação; a campanha diz que não é oficial.
Reajuste de 15% no Bolsa Família (piso de R$ 600 para R$ 691), anunciado em 17 de setembro e pago desde outubro, mês da eleição; perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas de MEIs e transferência de até R$ 5 mil (Pix MEI), anunciados em outubro.
Impostos
Revisar a reforma tributária e reduzir a alíquota do IVA; cortar tributos sobre energia e combustíveis; extinguir o IOF aos poucos; acabar com a "taxa das blusinhas".
Isenção do IR até R$ 5 mil por mês, em vigor desde janeiro de 2026 e paga por um imposto mínimo sobre altas rendas; projeto que eleva o teto do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.
Crescimento e infraestrutura
Meta de crescer 4% ao ano; R$ 900 bilhões em infraestrutura em quatro anos, sobretudo privados, via concessões e PPPs, como Ferrogrão e Transnordestina.
Sem meta numérica de crescimento nas fontes consultadas.
Privatizações
Retomar o Programa Nacional de Desestatização, sem empresas nem calendário definidos.
Sem plano de privatizações; no 3º mandato, o governo retirou estatais como os Correios da lista de desestatização.
Trabalho
Contrato de primeiro emprego (18 a 24 anos) e para desempregados acima de 50 anos, com custo menor e o negociado prevalecendo sobre a lei. Votou a favor do fim da escala 6x1 no Senado e disse que manterá a regra.
Fim da escala 6x1 e jornada de 40 horas sem redução de salário: emenda constitucional aprovada pelo Senado por 75 a 1 e promulgada em 16 de outubro de 2026, com transição de cerca de 14 meses. Era bandeira da campanha.
Bolsa Família
Manter o programa; volta imediata depois do seguro-desemprego; bônus para quem fizer cursos; permanência maior depois do emprego formal.
Manter o programa e a regra de proteção (50% do benefício por até 12 meses quando a renda sobe), com o reajuste de 15%.
Privilégios e supersalários
O plano cita "o combate aos penduricalhos e supersalários que corroem o orçamento", dentro da reforma administrativa, sem número nem prazo. Mesmo que todos os supersalários acabassem, a economia seria de R$ 7 bilhões (estimativa do STF para os penduricalhos) a R$ 20 bilhões por ano (estimativas de entidades), uma fração do corte de R$ 190 bilhões citado pela equipe.
Apoia o projeto dos supersalários (PL 2.721/2021), parado no Senado desde 2023; vetou penduricalhos do Congresso e do TCU em fevereiro de 2026. Em março de 2026, o STF limitou as verbas indenizatórias a 35% do teto, com economia estimada em R$ 7,3 bilhões por ano.
O que economistas dizem do plano de Flávio
Economistas ouvidos pelo Nexo e pelo Correio Braziliense chamaram o plano fiscal de vago e disseram que cortar impostos e fazer ajuste ao mesmo tempo não fecha a conta. O corte de R$ 190 bilhões citado pela equipe equivale a quase todo o gasto livre do Orçamento e, segundo a imprensa, só fecharia mexendo em aposentadorias, BPC e pisos de saúde e educação; a campanha nega que isso esteja no plano.
O que economistas dizem do plano de Lula
A Gazeta do Povo resume o plano como continuidade de gastos sem previsão de cortes. O economista Felipe Salto calcula que as medidas anunciadas na campanha custam R$ 43,6 bilhões em 2027 e R$ 195,6 bilhões até 2030, e que a meta de superávit de 2027 só fecha com mais de R$ 64 bilhões de abatimentos na conta da meta, não detalhados.
Checagem: o debate e as frases que circulam
Debate da Band, 18 de outubro
As duas agências de checagem que cobriram o debate ao vivo, Agência Lupa e Aos Fatos, chegaram ao mesmo resultado com critérios próprios: Lula teve a maior parte das frases confirmadas; Flávio, a maior parte das frases falsas ou sem comprovação. As contagens não se somam entre agências: cada uma escolhe quais frases checar e usa a sua escala.
Agência Lupa
Checagem ao vivo, atualizada em 19/10, com selos formais: 40 frases. "Meio-termo" reúne os selos Exagerado, Falta contexto, Subestimado e Insustentável (sem dado público que sustente a afirmação).
Aos Fatos
Selos atribuídos pela própria agência a cada bloco da checagem ao vivo (Verdadeiro, "Não é bem assim", Falso), extraídos da página em 19/10 (22 frases de Lula e 18 de Flávio, sem uma repetição), mais as seis checagens de Flávio acrescentadas até 23/10, classificadas pelo texto da agência (uma, sem veredito, ficou fora). "Não é bem assim" marca afirmações parcialmente corretas, exageradas ou fora de contexto.
Média simples das taxas de cada agência (Lupa: 53% e 12% para Lula, 9% e 35% para Flávio; Aos Fatos: 73% e 5% para Lula, 8% e 50% para Flávio). O restante são frases exageradas, imprecisas ou sem contexto.
Ver as frases de Lula checadas no debate
- VerdadeiroO PIB cresceu 7,5% em 2010. (Lupa e Aos Fatos: maior alta desde 1986, segundo o IBGE)
- VerdadeiroEnviei a Lei Antifacção, com penas maiores para facções. (Lupa e Aos Fatos: Lei 15.358/2026, com penas de 20 a 40 anos)
- VerdadeiroPerdoamos R$ 12,6 bilhões em dívidas de MEIs. (Lupa: aprovado pelo Congresso; aguardava sanção na data do debate)
- VerdadeiroFlávio foi o único voto contra a licença-maternidade de seis meses na Alerj. (Lupa, Aos Fatos e Estadão: votação de 54 a 1, em 2009)
- ExageradoO salário mínimo comprava 1,8 cesta básica e hoje compra 2,2. (Lupa: a relação melhorou, mas menos do que o dito)
- FalsoBolsonaro deixou um déficit de 2,8% do PIB. (Lupa e Estadão: 2022 fechou com superávit primário de cerca de 0,5% do PIB)
- VerdadeiroBolsonaro liberou mais de 1 milhão de armas. (Lupa e Aos Fatos: os registros de atiradores, caçadores e colecionadores se multiplicaram por seis de 2018 a 2022)
- DivergenteForam 1,1 bilhão de balas. (Lupa × Aos Fatos: a Lupa não encontrou dado público que sustente o número; o Aos Fatos confirmou com base no Instituto Sou da Paz (994 milhões))
- FalsoO Brasil só voltou a crescer mais de 3% quando eu voltei. (Lupa, Aos Fatos e Estadão: o PIB cresceu 3,9% em 2011 e 4,8% em 2021)
- VerdadeiroApresentamos um orçamento com superávit de 0,1%. (Lupa: o projeto de Orçamento de 2027 prevê superávit de R$ 18,6 bilhões, 0,13% do PIB, contando todas as receitas e despesas)
- Falta contextoÉ a primeira vez que o orçamento vem com resultado positivo. (Lupa: as previsões de 2024 e 2025 também começaram positivas e terminaram em déficit (−0,4% e −0,48% do PIB))
- VerdadeiroAcabamos com a saidinha para crimes hediondos, estupro e violência doméstica. (Lupa: Lei 14.843/2024, com veto parcial derrubado pelo Congresso)
- Falta contextoEu criei o Simples. (Lupa: o Simples é de 1996 (governo FHC); o Simples Nacional, de 2006)
- VerdadeiroFlávio empregou parentes de miliciano no gabinete. (Lupa: mãe e mulher do ex-PM Adriano da Nóbrega foram lotadas no gabinete na Alerj)
- ExageradoO PIB da indústria cresceu 3,4%. (Lupa: a indústria cresceu 1,4% em 2025)
- DivergenteDeixamos R$ 270 bilhões em reservas. (Lupa × Aos Fatos: a Lupa classificou como subestimado (US$ 288,6 bilhões em 2010); o Aos Fatos considerou correto)
- VerdadeiroOs alimentos subiram 56% com Bolsonaro e 13% comigo. (Lupa e Aos Fatos: 54,2% contra 13,6%, pelo IPCA)
- VerdadeiroFui o primeiro presidente a conseguir o grau de investimento. (Aos Fatos e Estadão: em 2008; o país perdeu o grau em 2015)
- VerdadeiroCriei o MEI, e já são 17,5 milhões. (Aos Fatos e Estadão: lei de 2008; 17,69 milhões de MEIs)
- VerdadeiroPagamos a dívida com o FMI. (Aos Fatos e Estadão: quitada em 2005, com dois anos de antecedência)
- Verdadeiro, com ressalvaBancarizamos 22 milhões de pessoas. (Aos Fatos: o número parece vir do acesso a serviços bancários pela internet)
- VerdadeiroDevolvemos mais de R$ 3,5 bilhões aos aposentados lesados. (Aos Fatos e Estadão: R$ 3,52 bilhões até o debate)
- Não é bem assimA PF e a CGU desarticularam o esquema do INSS. (Aos Fatos: desarticularam, de fato; mas os bloqueios judiciais não são valores recuperados, o que depende dos processos)
- Sem vereditoO Aos Fatos contou 43 mentiras de Flávio. (Aos Fatos: a contagem existe, mas é sobre as falas dele a respeito do caso Vorcaro, de fevereiro a setembro)
- Não é bem assimPrendemos o Vorcaro. (Aos Fatos: a prisão não decorreu de decisão direta do presidente; foi pedida pela PF e decretada pela Justiça)
- VerdadeiroFlávio ganha o mesmo salário que eu. (Aos Fatos: R$ 46.366,19)
- Não é bem assimFlávio comprou uma casa de R$ 10 milhões com dinheiro do BRB. (Aos Fatos: a casa custou R$ 6 milhões; o BRB financiou R$ 3,1 milhões)
- VerdadeiroFlávio interferiu para que um PM não fosse preso. (Aos Fatos: a agência confirmou o episódio)
- VerdadeiroFlávio defendeu retirar a marcação de munições. (Aos Fatos: apoio ao PL 3.723/2019, que reduzia a rastreabilidade das munições; a agência registrou que ele omitiu esse apoio no debate)
- FalsoFizemos a maior demarcação de terras indígenas da história. (Aos Fatos: outros governos homologaram mais terras indígenas)
- Verdadeiro, com ressalvaA Constituição deu a segurança pública aos estados. (Aos Fatos: é verdade, mas o artigo 144 também atribui competências à União)
Ver as frases de Flávio Bolsonaro checadas no debate
- Verdadeiro, com ressalvaA dívida pública é recorde: R$ 11 trilhões. (Lupa e Aos Fatos: R$ 11,1 trilhões, 82,9% do PIB, em agosto; o recorde vale em reais, não em proporção do PIB (86,9% em dezembro de 2020))
- Falta contextoA Lei Antifacção prevê até 80 anos de prisão. (Lupa: as penas vão de 20 a 40 anos; o tempo máximo de cumprimento no Brasil é 40 anos)
- Sem comprovaçãoO Instituto Lula recebeu R$ 30 milhões por fora. (Lupa e UOL: a Lupa classificou como insustentável, e como falso que a PF tenha confirmado; o UOL não encontrou respaldo)
- ExageradoBolsonaro elevou o Bolsa Família a R$ 600. (Lupa: o valor era temporário, até dezembro de 2022; o Orçamento de 2023 enviado por ele previa R$ 400)
- ExageradoO Bolsa Família era de R$ 190 e Bolsonaro triplicou. (Lupa: o aumento permanente foi menor que isso)
- FalsoLula solta criminosos por falta de vaga. (Lupa e Aos Fatos: soltura depende de decisão judicial; não há política de soltura por falta de vaga)
- FalsoLula e Janja gastaram R$ 7 bilhões em viagens. (Lupa, Aos Fatos e UOL: o valor é o gasto com viagens de todo o governo federal, inclusive militares e servidores, de 2023 a 2025)
- Sem comprovaçãoUm filho de Lula agrediu a esposa. (Lupa: a Polícia Civil concluiu o inquérito de 2024 sem indiciamento; o vídeo que circula é de outra pessoa)
- SubestimadoMais de 40 milhões de brasileiros vivem sob o domínio de narcoterroristas. (Lupa: na pesquisa citada, 41% dizem morar perto de áreas dominadas por facções ou milícias, mais que 40 milhões)
- Falta contexto73% dos presos votaram em Lula. (Lupa e Aos Fatos: só presos provisórios votam; a amostra é pequena e não representa a população carcerária)
- Falta contextoAs pessoas têm medo de ir à praia e de andar de ônibus. (Lupa: o policiamento ostensivo é competência dos estados)
- VerdadeiroLula vetou o fim da saidinha e o Congresso derrubou o veto. (Lupa: veto parcial em 2024, derrubado)
- FalsoLula foi à Justiça para manter a saidinha. (Lupa: a ação no STF (ADI 7663) é de uma associação de advogados)
- FalsoO governo não mandou ninguém aos EUA para negociar o tarifaço. (Lupa e Aos Fatos: houve negociações de ministros e do próprio Lula com o governo americano)
- ExageradoLula gastou R$ 350 bilhões para se reeleger. (Lupa: a conta inclui renúncias e programas permanentes, e não prova intenção eleitoral)
- ExageradoEduardo Bolsonaro está exilado e perseguido. (Lupa e Aos Fatos: ele foi condenado por coação no curso do processo e perdeu o mandato por faltas; não há exílio decretado)
- FalsoA criminalidade explodiu; o governo é recordista em criminalidade. (Lupa e Aos Fatos: as mortes violentas caíram 8,2% em 2025, para a menor taxa da série; o recorde é de 2017)
- FalsoLula liberou armas para traficantes. (Lupa: o decreto de 2023 restringiu o acesso a armas; nada liberou para traficantes)
- Sem comprovaçãoLula deixa entrar armas ilegais. (Lupa: as apreensões de armas subiram 6,5%)
- FalsoOs roubos de celular não caíram. (Lupa e Aos Fatos: caíram 37,4% de 2022 a 2025)
- FalsoO governo não fez nada contra receptadores. (Lupa: houve programa federal de bloqueio e rastreio de celulares)
- Não é bem assimOs juros futuros caíram 2%. (Aos Fatos: confundiu pontos percentuais com variação percentual)
- FalsoNão tenho escritório com o Careca do INSS. (Aos Fatos e UOL: registros mostram empresa de Flávio e empresa do lobista no mesmo endereço, com o mesmo contador)
- FalsoO Careca do INSS fez parte do governo Lula. (Aos Fatos: ele nunca teve cargo público)
- FalsoA PF não investiga o filho de Lula. (Aos Fatos: Fábio Luís (Lulinha) é investigado em três inquéritos autorizados pelo STF)
- Sem evidênciaLula participou da fraude do INSS. (Aos Fatos: as fraudes ocorreram em vários governos e não há evidência de participação do presidente)
- FalsoSó o PT apresentou emendas flexibilizando os descontos do INSS. (Aos Fatos: 32 emendas de sete partidos, 16 delas do PT)
- Não é bem assimQuem prendeu Vorcaro foi o ministro André Mendonça. (Aos Fatos: a primeira prisão, em novembro de 2025, foi em operação da Polícia Federal; Mendonça decretou a nova prisão em março de 2026)
- FalsoHá um condenado do Mensalão no governo Lula. (Aos Fatos: a agência registrou o contrário do afirmado)
- Não é bem assimO recorde de mulheres assassinadas é culpa de Lula. (Aos Fatos: os feminicídios são recorde em parte pela melhora do registro; os homicídios de mulheres caíram)
- VerdadeiroO país tem recorde de mulheres espancadas. (Aos Fatos: 286.270 registros de lesão corporal em violência doméstica em 2025)
- FalsoRecorde de empresas fechadas. (Aos Fatos e Lupa: o Aos Fatos classificou como falso (o recorde de falências é de 2015); a Lupa, como falso para falências e falta contexto para fechamentos: em 2025 fecharam 2,8 milhões e abriram 5 milhões de empresas)
- Já existeVou criar o prontuário eletrônico único. (Aos Fatos: a Rede Nacional de Dados em Saúde foi criada em 2020)
- Não é bem assimLula tomou vacina comprada no governo Bolsonaro. (Aos Fatos: a CoronaVac foi comprada do Butantan em janeiro de 2021, depois de Bolsonaro dizer que não a compraria)
- FalsoLula foi aos EUA defender organizações criminosas. (Aos Fatos: sem base factual)
- FalsoO governo vê abusadores de crianças só como doentes. (Aos Fatos: sem base factual)
Dados lidos nas páginas das agências em 23/10/2026; as frases checadas não são uma amostra aleatória do que cada candidato disse, e sim as que as agências escolheram checar. Vereditos que divergem entre agências estão marcados como "divergente". O debate da Globo, em 23 de outubro, será checado pelas mesmas agências; esta seção pode ser atualizada depois dele.
Frases que circulam, e o que os dados dizem
Afirmações dos dois lados, com o veredito das agências de checagem ou dos dados oficiais. Abra cada grupo.
A favor de Lula
“O Brasil voltou a crescer de forma consistente, perto de 3% ao ano, com Lula 3.”
Verdadeiro, com ressalva
O PIB cresceu 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025: média de 3,0% ao ano, a melhor média de três anos desde 2008–2010, empatada com a de 2011–2013 (3,0%), e acima dos vizinhos. Com Bolsonaro, 2021 (4,8%) e 2022 (3,0%) também passaram de 3%, na reabertura depois da pandemia. A versão dita no debate, de que o país "só voltou a crescer acima de 3%" com Lula, foi checada como falsa pela Lupa e pelo Aos Fatos.
Fonte: IBGE e Banco Mundial, Agência Lupa
“O desemprego é o menor da história.”
Verdadeiro, com ressalva
É o menor da PNAD Contínua, pesquisa iniciada em 2012: 5,1% no fim de 2025 e 5,3% de junho a agosto de 2026. Antes de 2012 o IBGE usava outra pesquisa, que não é comparável. A informalidade segue perto de 38%.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua
“A inflação com Lula 3 é uma das menores das últimas décadas.”
Verdadeiro, com ressalvas
A média de 2023 a 2025 (4,6% ao ano) é a segunda menor de um governo desde o Plano Real, atrás só da de Temer (4,3%), e fica abaixo dos 6,2% de Bolsonaro. Mas segue acima do centro da meta (3%): o teto foi estourado em 2024, a meta contínua foi descumprida em junho de 2025, e os 12 meses até setembro de 2026 (4,58%) passam do teto. Dizer que "a inflação está na meta" é falso hoje.
Fonte: IBGE, IPCA, Banco Central, carta aberta de julho de 2025
“A fome e a pobreza estão nos menores níveis já medidos.”
Verdadeiro, com ressalvas
Pobreza (23,1%) e extrema pobreza (3,5%) em 2024 são as menores da série do IBGE, iniciada em 2012. Na série da FAO, a insegurança alimentar grave (0,6% em 2023–25) é a menor já registrada, e o Brasil saiu do Mapa da Fome. Ressalvas: pela escala do IBGE, a insegurança grave de 2024 (3,2% dos domicílios) é igual à de 2013; e 20,3 milhões de pessoas ainda vivem insegurança moderada ou grave. Dizer que "a fome acabou" é impreciso.
“Lula herdou um rombo fiscal.”
Parcialmente verdadeiro
O governo central fechou 2022 com superávit de R$ 54 bilhões, e a fala de Lula no debate, de um déficit de 2,8% ao assumir, foi checada como falsa pela Lupa. Por outro lado, o Orçamento de 2023 enviado pelo governo anterior não previa o Auxílio de R$ 600 prometido pelos dois candidatos, o que levou à PEC da Transição (R$ 145 bilhões), e precatórios adiados por emenda de 2021 (R$ 60 bilhões represados nos orçamentos de 2022 e 2023) foram pagos em dezembro de 2023.
“A bolsa subiu cerca de 80% com Lula.”
Verdadeiro, com ressalvas
Do fim de 2022 a 20 de outubro de 2026, o Ibovespa subiu 90% em reais, 60% descontada a inflação. Até o fim de 2025, antes da campanha, a alta era de 47% em reais e 28% real; parte do ganho de 2026 veio depois do 1º turno (+7,7% no pregão seguinte, com Flávio à frente); a bolsa reage à surpresa em relação às pesquisas, não ao partido: em 2022 subiu 5,5% depois de um 1º turno liderado por Lula. Com Bolsonaro, o índice subiu 25% em reais e caiu 2% descontada a inflação.
Fonte: B3 e Mais Retorno
“Os alimentos subiram 56% com Bolsonaro e 13% com Lula.”
Verdadeiro
Pelo IPCA, alimentação e bebidas subiram 54,2% de 2019 a 2022 e 13,6% de 2023 a setembro de 2026. Parte da diferença é externa: a pandemia, a guerra na Ucrânia e o dólar a R$ 5 pressionaram os preços de 2020 a 2022, e a safra recorde e o dólar mais baixo ajudaram em 2025 e 2026.
Fonte: Agência Lupa, Aos Fatos
“Devolvemos R$ 3,5 bilhões aos aposentados; recuperamos R$ 100 bilhões do INSS.”
Metade verdadeira
A devolução dos descontos indevidos chegou a R$ 3,5 bilhões em outubro (R$ 3,6 bilhões no fim do mês), paga pelo Tesouro, que depois cobra das entidades. Já os "R$ 100 bilhões recuperados" não se sustentam: os bloqueios judiciais somam pouco mais de R$ 6 bilhões, e o Aos Fatos lembra que bloqueio não é recuperação, que depende dos processos. O esquema funcionou de 2019 a 2024, nos dois governos.
“Criamos 22 milhões de empregos em oito anos de governo.”
Exagerado
Pela Rais, o saldo de empregos formais de 2003 a 2010 foi de 15,3 milhões; o Aos Fatos também considerou o número inflado. Em Lula 3, o desemprego está no menor nível da série do IBGE (ver Economia).
Contra Lula
“A dívida pública explodiu: já são R$ 11 trilhões.”
Verdadeiro, com ressalvas
A dívida bruta chegou a R$ 11,1 trilhões, 82,9% do PIB, em agosto de 2026; era 71,7% em dezembro de 2022. As ressalvas: pelas contas do Banco Central, os juros acrescentaram cerca de 30 pontos do PIB no período, e as emissões líquidas para cobrir déficits, cerca de 1 ponto (os déficits primários de 2023 a 2025 somaram cerca de 3 pontos, parte coberta com o caixa do Tesouro), enquanto o crescimento do PIB nominal descontou cerca de 20; a queda com Bolsonaro (de 75,3% para 71,7%) veio da inflação alta, de devoluções do BNDES, de dividendos e da venda da Eletrobras, e de precatórios adiados; a dívida líquida, que desconta as reservas, subiu nos dois governos; e a dívida tinha subido de 70% para 75% do PIB com Temer, de 2016 a 2018.
Fonte: Banco Central, via Poder360
“A criminalidade explodiu no governo Lula.”
Falso
As mortes violentas intencionais caíram para 40.775 em 2025, taxa de 19,1 por 100 mil, a menor desde 2012; a queda começou em 2018 e continuou nos dois governos. Os feminicídios subiram nos dois, e os estelionatos bateram recorde em 2025 (2,26 milhões de registros).
“As empresas estão fechando.”
Falso
Abrem mais empresas do que fecham. O número de empresas ativas subiu de 20,2 milhões no fim de 2022 para 25,7 milhões em outubro de 2026, o maior da série. Os fechamentos bateram recorde em 2024 (2,44 milhões, a maioria de MEIs) e em 2025 (2,8 milhões), mas as aberturas também (4,25 milhões e 5 milhões). Os pedidos de falência ficaram abaixo dos de 2018 e 2019; o recorde é de 2015. As recuperações judiciais bateram recorde, puxadas pelo agro. Lupa e Aos Fatos classificaram como falsa a versão "recorde de empresas fechadas" dita no debate.
Fonte: Mapa de Empresas, Aos Fatos
“Lula liberou as bets.”
Falso
As apostas esportivas foram legalizadas pela lei de 2018, sancionada por Michel Temer, com quatro anos para regulamentar; o prazo venceu em 2022 sem regras, e as bets operaram sem controle nesse período. A lei de 2023, sancionada por Lula, regulamentou e tributou o setor, com exigência de licença, limites de publicidade e proibição de cartão de crédito. Em setembro de 2026, o governo proibiu as bets por medida provisória, que ainda depende do Congresso e do STF. A Lupa classificou como falso que Lula tenha "liberado" as bets, e o Aos Fatos, como mentira a versão de que ele seria "o pai do tigrinho".
Fonte: Agência Lupa, Aos Fatos, Lei 13.756/2018
“O governo só aumenta imposto.”
Falso
Desde janeiro de 2026, mais de 15 milhões de pessoas pagam menos ou nenhum Imposto de Renda (isenção até R$ 5 mil por mês), compensado por um imposto mínimo sobre altas rendas; a reforma tributária de 2023 unificou cinco tributos sobre consumo. É verdade que a carga tributária subiu, de 31,2% do PIB em 2022 para 32,4% em 2025, a maior da série do Tesouro (desde 2010), com tributação de fundos exclusivos, offshores, apostas e combustíveis e a alta do IOF em 2025. Com Bolsonaro, a carga também subiu, de 30,4% para 31,2%. A versão "30 impostos criados" teve a classificação retirada pelo Aos Fatos para revisão.
Fonte: Tesouro Nacional, carga tributária 2025, Sanção da isenção do IR, 26/11/2025, via Fenacon
“Lula acabou com o teto de gastos.”
Verdadeiro, com contexto
O teto foi substituído pelo arcabouço fiscal em 2023, depois de a PEC da Transição ampliá-lo em R$ 145 bilhões. Antes disso, o teto já tinha sido alterado ou contornado cinco vezes no governo Bolsonaro (emendas constitucionais 102, de 2019; 106, de 2020; 109 e 113/114, de 2021; e 123, de 2022), a última com R$ 41 bilhões fora da regra a três meses da eleição.
“Lula e Janja gastaram R$ 7 bilhões em viagens.”
Falso
Os R$ 7 bilhões são o gasto com diárias e passagens de todo o governo federal, inclusive Forças Armadas, PF e universidades, de 2023 a 2025. As viagens presidenciais custam uma fração disso; Lupa e Aos Fatos classificaram a frase como falsa, e o UOL, como fora de contexto.
Fonte: Agência Lupa, Aos Fatos
“Lula vai taxar o Pix.”
Falso
A versão de 2022 (CPMF sobre o Pix, confisco da poupança) foi checada como falsa. Em 2025, a Receita ampliou o monitoramento de movimentações, voltou atrás em dias, e nenhuma taxa foi criada; em 2026 a frase volta como "o sonho do PT é taxar o Pix", sem medida que a sustente. O Pix segue gratuito para pessoas físicas.
Fonte: Aos Fatos, 2022, Poder360, 2026
“O Careca do INSS era do governo Lula e pagava o filho dele.”
Falso
O lobista nunca teve cargo público. O esquema de descontos indevidos nas aposentadorias funcionou de 2019 a 2024: começou no governo anterior e foi desmontado em abril de 2025, no governo Lula, pela PF e pela CGU, com a prisão do ex-presidente do INSS e a devolução de R$ 3,6 bilhões aos aposentados pelo Tesouro. O que existe: o filho de Lula, Fábio Luís (Lulinha), é investigado em três inquéritos no STF por suspeita de tráfico de influência, sem indiciamento até outubro de 2026; o suposto pagamento a ele tem um depoimento a favor e extratos analisados que não o mostram. O Aos Fatos classificou como falsa a versão de que o Careca "fez parte do governo Lula".
Fonte: Aos Fatos, CNN Brasil, 20/08/2026, sobre os inquéritos
A favor de Bolsonaro
“Bolsonaro entregou superávit e a dívida caiu.”
Verdadeiro, com ressalvas
O governo central teve superávit primário de R$ 54 bilhões em 2022, e a dívida bruta caiu de 75,3% para 71,7% do PIB. Mas a queda veio sobretudo da inflação alta, que inflou o PIB nominal, de devoluções do BNDES (R$ 258 bilhões em 2019–2022), de dividendos recordes e da venda da Eletrobras, e de precatórios adiados; a dívida líquida subiu de 52,8% para 56,1%.
“Bolsonaro só não foi melhor por causa da pandemia.”
Parcialmente verdadeiro
A pandemia derrubou 2020, mas atingiu os vizinhos também. Sem 2020 e 2021 (reabertura), o PIB cresceu 2,1% ao ano, quase o mesmo que os vizinhos (2,2%) e menos que os 3,0% de Lula 3; tirando só 2020, a média sobe para 3,0%, igual à de Lula 3. A inflação ficou acima e o desemprego caiu pouco antes da Covid.
Fonte: Banco Mundial e IBGE
“Bolsonaro criou o Pix.”
Parcialmente verdadeiro
O Pix foi lançado em novembro de 2020, no governo Bolsonaro, mas foi concebido e desenvolvido pelo Banco Central desde 2016, com autonomia técnica. A gratuidade foi decisão do BC; o ministro Paulo Guedes defendia na época um tributo sobre transações digitais, que não prosperou.
Fonte: Aos Fatos
“Bolsonaro aprovou a reforma da Previdência, pagou o Auxílio Emergencial e privatizou a Eletrobras.”
Verdadeiro
A reforma da Previdência foi promulgada em novembro de 2019, com economia estimada de R$ 800 bilhões em dez anos. O Auxílio Emergencial pagou R$ 600 por mês em 2020 (o governo propôs R$ 200; o Congresso elevou) a 68 milhões de pessoas, e R$ 150 a 375 em 2021. A Eletrobras foi privatizada em junho de 2022. O marco do saneamento (2020) também é dele.
“Bolsonaro elevou o Bolsa Família a R$ 600.”
Exagerado
O próprio presidente disse, em agosto de 2020, que "os R$ 600 pesa muito para a União" e que "os 600 é muito", e cortou a parcela do Auxílio Emergencial para R$ 300 em setembro; em março de 2020, o governo tinha proposto R$ 200, o Congresso elevou para R$ 500 e o governo fechou em R$ 600. O Auxílio Brasil de R$ 600 só existiu de agosto a dezembro de 2022, por emenda aprovada a três meses da eleição e válida até o fim do ano; o Orçamento de 2023 enviado pelo governo previa R$ 400. Os R$ 600 permanentes vieram com a PEC da Transição e o Bolsa Família de 2023.
Fonte: Bolsonaro, 19/08/2020, via Bahia Notícias, Agência Lupa
“Não houve corrupção no governo Bolsonaro.”
Falso
Casos investigados ou apurados: o esquema de pastores no MEC (o ministro Milton Ribeiro foi preso em 2022), o orçamento secreto (declarado inconstitucional pelo STF), a tentativa de compra da Covaxin apurada pela CPI, e o caso das joias, em que o ex-presidente foi indiciado. Não há condenação criminal por corrupção contra Jair Bolsonaro.
Fonte: Agência Lupa, Aos Fatos, 2022
Contra Bolsonaro
“O Brasil voltou ao Mapa da Fome com Bolsonaro.”
Verdadeiro
O relatório da FAO de 2022 colocou o Brasil de volta ao Mapa da Fome com a média de 2019 a 2021; o país tinha saído em 2014. Saiu de novo no relatório de 2025 (2022 a 2024).
Fonte: FAO, via Viva
“Bolsonaro foi um dos piores do mundo na pandemia.”
Verdadeiro
O Brasil ficou em último entre 98 países no índice de resposta à Covid do Lowy Institute (dados até janeiro de 2021), teve o segundo maior número de mortes do mundo em números absolutos e ficou 55% acima da média mundial em mortes em excesso por habitante; entre os vizinhos, ficou perto da mediana. Estudos revisados por pares estimam entre 47 mil e 87 mil mortes evitáveis só com uma vacinação mais rápida; a CPI da Covid pediu o indiciamento do presidente por nove crimes.
Fonte: Lowy Institute, IHME, The Lancet
“Bolsonaro liberou mais de 1 milhão de armas e 1,1 bilhão de balas.”
Parcialmente verdadeiro
Os decretos de 2019 a 2022 multiplicaram por seis os registros de atiradores, caçadores e colecionadores, e Lupa e Aos Fatos confirmam a casa do milhão de armas . Sobre as balas, as agências divergem: a Lupa não encontrou dado público; o Aos Fatos confirmou com o Instituto Sou da Paz (994 milhões autorizadas).
Fonte: Agência Lupa, Aos Fatos
“Bolsonaro deixou um déficit de 2,8% do PIB.”
Falso
2022 fechou com superávit primário do governo central de R$ 54 bilhões (0,5% do PIB), com receitas extraordinárias e precatórios adiados. O número de 2,8% pode vir da projeção para 2023 antes da PEC da Transição, não do resultado deixado. Lupa e Estadão classificaram como falso.
“Bolsonaro extinguiu dez ministérios e esvaziou outros.”
Verdadeiro
A reforma de janeiro de 2019 extinguiu dez pastas e criou outras por fusão (Economia reuniu Fazenda, Planejamento, Indústria e Trabalho; Cidadania reuniu Desenvolvimento Social, Esporte e Cultura), e o governo passou de 29 para 22 ministérios; a Lupa confirmou os dez. O esvaziamento foi além: a Cultura virou secretaria, o Trabalho só voltou a ministério em 2021, um decreto de abril de 2019 extinguiu centenas de conselhos de participação social, o Fundo Amazônia, que custeava a fiscalização do Ibama, ficou paralisado de junho de 2019 a 2022 com R$ 3,2 bilhões parados, e as autuações do Ibama caíram 34% nos primeiros meses de 2019, para o menor nível em uma década. Lula 3 recriou pastas: 37 ministérios em 2023, 38 depois.
Fonte: Agência Lupa, Agência Pública, Fundo Amazônia, Observatório do Clima, via O Eco
“Bolsonaro nunca deu aumento real ao salário mínimo.”
Verdadeiro, com ressalva
O único ganho acima da inflação foi em 2019 (cerca de 1%), pela regra de valorização de 2015 (Lei 13.152, do governo Dilma), que valeu até aquele ano; nos três anos seguintes o reajuste repôs só a inflação, com perda real em 2021. No período todo, o mínimo ganhou 0,1% em termos reais; com Lula 3, 12,5% (3,0% ao ano), pela regra de valorização.
Fonte: Aos Fatos, 2022, Dieese
“Bolsonaro tentou um golpe de Estado.”
Verdadeiro
O STF condenou Jair Bolsonaro em 11 de setembro de 2025, por 4 votos a 1, a 27 anos e 3 meses de prisão por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito e golpe de Estado, entre outros crimes. A defesa nega; o Aos Fatos classificou como falsa a versão de que a tentativa "se limitou ao 8 de janeiro".
Fonte: STF, Ação Penal 2668, julgamento de 11/09/2025, Aos Fatos, via BNews
“O desmatamento disparou assim que Bolsonaro assumiu.”
Verdadeiro
O desmatamento na Amazônia foi de 7,5 mil km² em 2018 para 10,1 mil km² em 2019 (+34%), 10,9 mil em 2020 e 13 mil em 2021, o pior ano desde 2006; a média do governo, 11,4 mil km² por ano, foi a maior desde 2008. No mesmo período, o Fundo Amazônia foi paralisado e as autuações do Ibama caíram. Não é o recorde da série (29 mil km² em 1995; 27,8 mil em 2004). Com Lula 3, a média caiu para 6,2 mil km², e a estimativa de 2026 (3,3 mil km²) seria a menor da série, abaixo de 2012.
Método e fontes
- Bolsonaro: anos completos de 2019 a 2022. Lula 3: anos completos de 2023 a 2025 e, em 2026, o dado mais recente de cada indicador. Médias usam só anos fechados; "no fim do mandato" compara o último dado antes da posse com o último do período.
- "Anos sem pandemia" são 2019 e 2022 para crescimento e inflação; nas contas públicas, 2019, 2021 e 2022 (só 2020 teve o Orçamento de Guerra).
- "Vizinhos" é a mediana de Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru; a régua inclui também o Uruguai.
- Os números vêm de órgãos oficiais e organismos internacionais. Quando o dado chega por um veículo de imprensa, o link aponta para ele.
- O painel não recomenda voto e não avalia intenções. Coincidência no tempo não prova causa: cada seção diz o que é efeito de contexto.
- A pesquisa, os cálculos e os gráficos foram feitos com auxílio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas, e revisados por pessoas; nenhuma imagem, áudio ou vídeo foi gerado ou alterado.
- Atualização de 23/10/2026: resumo, título e subtítulo revisados; cards com destaque de fundo; checagem só com as agências de checagem (Lupa e Aos Fatos) e médias; vereditos de frases revisados; nota geral de volta à grade do modelo Mesma régua (efetividade do governo em Contas públicas e gestão); nota passa a ser a mediana das oito variantes de método (antes, uma variante só, a mais conservadora para Lula 3).
- Atualização anterior (23/10/2026): novas seções de saúde, pandemia, educação, segurança e instituições; régua reorganizada (efetividade do governo em instituições); checagem do debate; correções da revisão independente da versão 1 (22/10/2026). Funciona sem internet.
Economia
- PIB, inflação e investimento: IBGE e Banco Mundial (WDI)
- IPCA: IBGE, Sidra, tabela 1737
- Desemprego: IBGE, PNAD Contínua, tabela 4099
- Desemprego de jun–ago/2026: Agência Gov
- Selic, dívida, resultado fiscal, juros e câmbio: Banco Central, SGS
- Ibovespa e dólar em 20/10/2026: B3, Bora Investir
- Posição entre as economias: FMI, World Economic Outlook
- Salário mínimo de 2026: InfoMoney
- Renda e Gini de 2025: IBGE, via Diário do Comércio
- Empresas ativas, abertas e fechadas: Mapa de Empresas
- Carga tributária: Tesouro Nacional, Boletim 2025
Renda, saúde, educação, segurança e ambiente
- Pobreza e extrema pobreza: IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2025, via Metrópoles
- Extrema pobreza de 2022: IBGE, via Poder360
- Renda por camada: Banco Mundial, Poverty and Inequality Platform
- Fome: FAO, relatório SOFI 2026, via SBT News
- Insegurança alimentar nos domicílios: IBGE, PNAD Contínua
- Expectativa de vida e mortalidade: ONU, OMS e Unicef, via Banco Mundial
- Cobertura vacinal: Ministério da Saúde, SI-PNI, compilado pela CNM
- Mortes violentas e feminicídios: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026
- Desmatamento: Inpe, Prodes 2026
- PISA: OCDE
- Creche e pré-escola: IBGE, PNAD Contínua, no cálculo do Todos Pela Educação
- Ensino superior: Unesco, via Banco Mundial
- IDHM: PNUD, Radar IDHM 2026
Contas públicas
- Dívida bruta de agosto de 2026: Banco Central, via Poder360
- Fatores da dívida: Banco Central, Estatísticas fiscais (jan/2026 e jan/2023)
- Arcabouço fiscal: Lei Complementar 200/2023
- Resultado de 2022: Ipea, Carta de Conjuntura
- Projeções: Instituição Fiscal Independente (Senado)
Pandemia e instituições
- Mortes em excesso: IHME, The Lancet (2022)
- Vacinação contra a Covid: Our World in Data
- Índice de resposta à Covid: Lowy Institute
- Mortes evitáveis pelo atraso da vacinação: Ferreira e outros, Lancet Regional Health Americas (2022)
- CPI da Covid: relatório final (Senado, 2021)
- Índices de democracia e governança: V-Dem, Banco Mundial (WGI), Freedom House, EIU, RSF, Transparência Internacional
- Condenação de Jair Bolsonaro: STF, via Reuters
- Inquéritos de Flávio Bolsonaro: O Povo
- Processos de Lula: Poder360 e Conjur
- Inquéritos de Lulinha: CNN Brasil
Propostas e checagens
- Plano de Flávio Bolsonaro: Forbes
- Receitas citadas pela equipe de Flávio: Gazeta do Povo
- Plano de Lula: Congresso em Foco
- Avaliação do plano de Flávio: Nexo
- Avaliação dos dois planos: Estado de Minas/Correio Braziliense
- Fim da escala 6x1: Correio da Manhã e Poder360
- Checagem do debate da Band: Aos Fatos
- Checagem do debate da Band: Agência Lupa
- Ranking dos Políticos também checou o debate, com escala própria (Verdadeiro, Impreciso, Falso) e mais frases de Lula; por não ser comparável com as agências de checagem, não entra nas contagens